segunda-feira, 26 de agosto de 2024

Y2K

 Tudo começou no milênio passado, mas perto do final dele.

Eu era apenas uma criança irritante, não muito diferente do que sou hoje, porém menor e mais ignorante, o dia era 31/12/1999 e eu estava me arrumando pra passar a festa de virada do milênio com a minha mãe no Clube Paineiras, embora a virada do milênio tecnicamente tenha sido entre 2000 e 2001 mas isso não importa pra ninguém.


O ar estava carregado de emoções à flor da pele, por um lado estávamos todos esperançosos por um tempo novo, um mundo novo, um calendário novo: a partir de então não precisaríamos escrever números maiores que 31 no canto superior direito das páginas de cadernos escolares por muito, muito tempo. Por outro lado tínhamos medo do bug do milênio, ouvimos tantas vezes que aviões cairiam dos céus, computadores deixariam de funcionar e bancos teriam seus dados apagados: dívidas e créditos, todos voltariam pra estaca zero. Outros iam além: diziam que o mundo acabaria. Por quê? Não sei, nunca soube, mas achavam e estavam prontos pra agir em suas crenças. Algumas semanas antes uns garotos mais velhos do condomínio estavam jogando bola comigo e conversando entre si: “se o mundo vai acabar na virada do milênio eu me recuso a morrer virgem”, “eu também”, disse eu, sem saber do que eles estavam falando direito. Eu teria morrido virgem como um azeite caro.


Chegando na festa, eu era uma criança boba como algumas outras: filhos da nata paulista, donos do futuro da nação, o Brasil ainda era o país do futuro naquela época, “eu sou brasileiro e não desisto nunca”, diria a TV em alguns anos até mudar pra “o Bostil venceu”, mas esse em outra tela. Olhando ao redor eu vi essas outras crianças, felizes, bem vestidas, tímidas, éramos bomba relógio esperando pra explodir um pouco antes dos fogos. Se eu prestasse mais atenção no movimento de rotação do planeta eu saberia que o mundo já tinha acabado no Japão há dez horas.


Depois de alguns minutos alguma criança rompeu o embargo e começou a brincar, gerando uma reação em cadeia irreversível: todos estavam brincando. Eu gosto de pensar que fui eu essa criança, mas provavelmente não fui. Algumas mães diziam pra sua prole com palavras duras: “se comporte!”. A minha não dava a mínima.


Uma dessas crianças era uma garotinha loira de olhos azuis, linda, eu acho que brinquei com ela.


2000 chegou e se foi, o mundo não acabou, o bug do milênio foi irrelevante, bilhões de dólares bem gastos se preparando pra algo que não existia.


Agora estamos em 2023, a vida não foi muito gentil comigo, mas podia ser pior: cicatrizes e traumas aparte, nenhum membro foi perdido no processo, só um órgão sobressalente. O dia é 30/06 e eu estou conversando com uma garota pela internet, ela me diz que vai viajar dois dias depois pra França, depois Inglaterra. “Estive nos dois, brevemente” eu disse. Era verdade. “Já que você vai viajar, o que acha de sair comigo antes? Que tal hoje?”, imaginei que a resposta seria “hahaha, não” mas ela disse que sim. Nice. Ela sugeriu um bar perto da casa dela e eu fui até lá, tomei um drink enquanto esperava pela atrazilda, então ela chegou. Linda, maravilhosa, eu a cumprimentei e sentamos à mesa, escolhi um vinho e começamos a conversar. A cada tópico novo eu precisava me beliscar pra ter certeza que não estava sonhando: estudamos na mesma escola, mas em anos diferentes, eu voltei de Londres logo antes dela ir pra lá, frequentamos as mesmas festas, mesmo shopping, mesmo cinema, mas acima de tudo, passamos a virada do milênio juntos, duas crianças bobas mas alegres com os mesmos fogos de artifício iluminando seus olhos, lado à lado. Todas as coisas ruins da vida pareceram inconsequentes, todos os relacionamentos tóxicos, todas as doenças, todas as dores: meh.


Uma garrafa de vinho depois o destino já estava muito bem decidido, eu precisava passar o resto da minha vida com aquela garota fantástica, eu precisava fazer ela sorrir todos os dias pra conseguir dormir bem de noite.


A Carol não é apenas linda, maravilhosa, perfeita e a melhor namorada do mundo: eu sou a densidade dela.


O mundo ganhou cores que eu não sabia que existiam, vida dura de daltônico. Ganhou uma dimensão que caolho nenhum pode entender. Com ela é tudo azul, mas sem ela eu fico blue. Eu aprendi o que é amor verdadeiro, o que é companheirismo, felicidade, hoje eu tenho uma vida, tenho sonhos, sou mais uma vez um bobo alegre ansioso pelo novo tempo, novo mundo, novo calendário: Antes da Carol e Durante da Carol, não vai ter um depois.




sábado, 13 de julho de 2013

Rise like a drunken fenix! RAISE!


Olá people! Eu sei que esse blog está morto e enterrado, mas como zumbis estão na moda, foda-se.

Eu não tenho mais paciência p'ra escrever coisas p'ra colocar aqui e ninguém ver, mas uma coisa que eu posso fazer é reunir besteiras que eu postei em outros lugares como Facebook e colocar aqui, o que espero que dê uma movimentada boa.

Eu não vou postar tudo de uma vez porque não teria graça, mas já aviso que nada disso é novo, à menos que eu diga que é!
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Eu queria sair, não, eu precisava sair.

Minha irmã me ligou falando sobre uma balada gótica no centro da cidade que ela queria ir. Não era muito bem a minha praia, mas eu não podia deixar minha irmãzinha alone entre um bando de satanistas sacrificando frangos virgens ou seja lá mais o que eles fazem.

Nos encontramos no metrô, minha irmã um amigo dela e eu, e então fomos até a estação mais próxima. Perguntei onde ficava o lugar mas ela não sabia. Droga, por que elas fazem isso? Vi um grupo de adolescentes vestidos com os mais diversos tons de preto que existem. Perguntei se estavam indo pro tal bar e disseram que sim. Fomos juntos e depois de uma curta caminhada chegamos no tal lugar.

Logo de cara não gostei muito de lá, mas quem sou eu p'ra reclamar, e eu já estava lá mesmo, paguei a taxa de malditos vinte reais e entrei. Não era um bar, parecia um salão de festas infantis sem os brinquedos, me deram uma pulseira que brilhava no escuro e um Vale Absinto. Uma dose.

Isso não vai me abastecer, pensei, talvez uns dez metros. Olhei em volta, haviam adolescentes de vários tipos. Bom, talvez 'vários' seja uma palavra muito forte, haviam 'dois' tipos: um tinha cabelo longo e preto, com roupas pretas e correntes, aparentemente sem utilidade práctica. O outro tinha cabelo colorido e roupas rasgadas, máscara de gás no rosto, talvez com alguma utilidade.

Não havia banda, o que me deixou decepcionado. Eu paguei vinte reais p'ra ver um bando de adolescentes? Posso fazer isso de graça na saída de uma escola, embora eu talvez fosse preso... isso soou melhor na minha cabeça. Aproveitei que apenas eu queria o Absinto e peguei os vales deles. Comprei uma dose de Whiskey p'ra suportar aquilo, toda aquela juventude, aquilo me enojava. Dentre todos aqueles animais soturnos estava eu, camisa vinho de mangas longas e jeans, além do meu cabelo com uma mecha amarela malfeita do lado. Virei a dose.

Observei mais um pouco aquilo tudo, como um antropólogo que chega em uma ilha perdida. Peguei mais uma dose de Whiskey. Eles vinham no mesmo lugar, pagavam o mesmo tanto p'ra ficarem confinados em um quarto escuro ouvindo as mesmas músicas em uma caixa de som barata. Mesmo assim, eles não se misturavam, os dois grupos, eram como pingüins e ursos polares, embora bem mais próximos. Virei a dose.

Precisava maneirar, peguei uma cerveja. A música não me agradava, ela me deixava depressivo. Não, ver ela deprimindo aqueles adolescentes me deprimia. Isso. Agora, que eu já estava começando à me sentir intoxicado, eu podia ignorar a homogeneidade daquelas pessoas e procurar um alvo, mas acabei desistindo disso também, as máscaras de gás não me permitiam saber direito com o que eu estava me metendo, e normalmente já era difícil distinguir os cromossomos de lá, todos tinham aquele cabelo comprido e preto, liso, ou aqueles cabelos coloridos como um arco-íris bêbado. E os homens não tinham barba, e tinham uma voz muito fina. Eram todos ou muito magros ou muito gordos. Terminei duas cervejas enquanto pensava nisso.

Eu já estava lá há algum tempo, e mesmo sabendo que eu precisava ficar lá até de manhã p'ra poder pegar o metrô e levar minha irmã embora em segurança, eu também estava cansado de ir até o "bar", então pedi as três doses de Absinto de uma vez, usei minhas incríveis habilidades de segurar copículos entre os dedos e voltei p'ra algum canto levemente isolado.

Alguns deles dançavam, era triste. Eles ficavam de pé no meio do caminho com os olhos fechados e as cabeças caídas, os ombros caídos, as morais caídas... e eles trocavam o peso do corpo de um pé pro outro, às vezes giravam um pouco com os braços, caídos.

Virei a primeira dose.

Então eu estava em uma rede, ou algo que parecia uma. Eu me sentia afundado, como se estivesse em uma rede mesmo, e ela me abraçava. Tentei abrir os olhos, uma luz muito forte me cegou e mesmo fechar os olhos não fez ela passar, mas depois de alguns instantes ela passou e eu tentei abrir os olhos de novo, estava um pouco melhor, a luz vinha da janela por dentre a persiana, algo me dizia que era o sol. Eu não tinha uma janela, muito menos uma persiana, aquilo não era um bom sinal. Olhei pro teto. Um ventilador. Eu também não tinha um, mas à essa altura eu já esperava algo assim.

"Você devia olhar pro lado", pensei.

Respirei fundo, minha cabeça doía. Olhei pro lado e vi um amontoado de cabelos castanho escuros, ondulados. "Espero que não tenha mais cabelo em lugar nenhum". Olhei um pouco mais p'ra baixo. Costas, ou melhor, costas sem pelos. Ok. Mais p'ra baixo. Enfim, os únicos outros pelos que eu encontrei foram nas sobrancelhas e cílios. O que diabos? O pior já passou, então à menos que tenha um anão bem dotado desmaiado no banheiro está tudo bem. Tentei me lembrar de algo. Onde eu estava? Não lembrei. Quem era ela? Não lembrei. Quem era eu? Isso eu lembrava. Menos mal.

Location, location, location.

Delicadamente tentei me levantar da cama, mas ela estava quebrada então ficava me jogando p'ra dentro o tempo todo, p'ra cima da garota. Ela não acordou, coloquei minha mão em seu pescoço p'ra sentir sua pressão, não senti nada, mas estava quente. Na pior das hipóteses era um coma, coisa que me livraria de uma situação embaraçosa, ou me colocaria em outra, caso alguém me visse saindo do quarto.

"É tudo circunstancial", "ninguém pode me acusar de nada". "Ou pode, não me lembro direito se crimes circunstanciais são bons ou ruins agora".

Minha cabeça doía.

Consegui sair da cama, a garota respirou fundo e virou pro outro lado, se embrulhando no cobertor.

Ok, se isso for coma deve ser o mais activo da história.

Procurei minhas roupas, vesti de qualquer jeito e fui pro banheiro, me olhei no espelho. "Parece que você apanhou essa noite, nunca vi um rosto tão vermelho, olhos tão vermelhos". Na minha camisa havia marca de algum fluido estranho, como se eu tivesse babado ele. Eu precisava saber onde eu estava, fui até a janela do quarto, antes de puxar um pouco a persiana respirei por um segundo de olhos fechados. Puxei, nunca fiquei tão feliz de não ver o Coliseu, a Torre Eiffel ou a Estátua da liberdade, mas ainda não sabia onde eu estava. O céu e as nuvens eram familiares, mas eles são assim em todo canto. Então eu lembrei da minha irmã, droga.

Procurei meu celular no bolso, havia um SMS não lido. Abri e dizia "Cheguei bem :)", remetente Sis. Ok, ok...

Eu ainda tinha um corpo nu em uma cama quebrada, minha perna estava doendo bastante e eu não entendia muita coisa, Me senti lendo um livro em russo ou algo do tipo, talvez alemão.

quinta-feira, 11 de outubro de 2012

Somewhere in the middle



 Hoje de manhã, andando pela rua deprimido, um ‘senhor’ me disse com um sorriso no rosto “bom dia, senhor”. Automaticamente respondi, mas fiquei pensando em como eu podia achar aquilo natural, algo ‘normal’...

É claro que aquilo era normal, as pessoas dão bom dia umas às outras naturalmente como forma de manter e ampliar seus círculos sociais, tal como projetar uma imagem de bonzinhos no subconsciente dos outros. O que me espantou, foi ele ter me chamado de ‘senhor’, e mais do que isso, eu ter achado isso natural à primeira vista.

Quando é que eu aceitei que sou um senhor? Deve haver algum momento das nossas vidas em que tudo muda, deixamos de ser o que éramos para nos tornar o que somos. Uma mudança gigante, gritante, um caminho sem volta, que aceitamos de forma tão sutil, que o dia se torna noite num piscar de olhos, sem que ninguém perceba.

Certa vez li em algum lugar uma frase de alguém, que dizia: “nascemos molhados, pelados e chorando. Então piora”. Pode até ser verdade, deve ser, mas eu sinto que a cada segundo que passa, a cada suspiro, envelhecemos, definhamos, perdemos algo. A primeira coisa que perdemos é a nossa inocência, de acreditar que o mundo gira por uma razão, que temos um lugar nele e que as coisas são como nos dizem ser. Essa perda nos torna rebeldes, porque não queremos acreditar na verdade, e resolvemos todos que vamos mudar o mundo, com uma palavra, uma foto, uma música. Mas perdemos essa batalha em algum momento, e junto com ela a esperança.
 
Ocasionalmente acabamos perdendo tudo, todas as nossas virtudes, tudo o que sempre dissemos que nunca largaríamos. Nos tornamos ovelhas perdidas na vida, caminhando sem rumo, rumo ao nada. Todos nós em algum momento, enquanto crianças, dissemos p’ra nós mesmos que seríamos diferentes, que éramos diferentes, mas no final, abandonamos nossos sonhos acreditando que acordar seria o mais saudável, o mais certo a se fazer.

No fim das contas, ninguém muda o mundo, ninguém sobrevive intacto à guerra da vida. O mundo nos muda.

Eu acho que a vida é assim mesmo, mas é uma pena que aqueles momentos gloriosos que nós passamos, de acreditar no impossível e de ver mais cores que o mundo tem, já não existem mais hoje. Não digo p’ra nós, porque os perdemos faz tempo, mas o que nós éramos hoje não é, em ninguém. As crianças de hoje não têm inocência, esperança, nada. Já nascem ovelhas, já nascem mortas.

Talvez todo aquele tempo em que pensávamos em mudar o mundo, deveríamos ter pensado em nos manter de pé, agüentar o tranco e guardar um pouco da magia que nós tínhamos p’ra quem ainda não era.

sexta-feira, 8 de junho de 2012

Puzzles




Naquele momento ele entendeu que as pessoas eram reais, e por um instante ou dois, ele poderia roubá-las do tempo, com um disparo escreveria uma estória, com um pouco de luz e um pouco de sombras.


Então houve tudo o que era necessário: movimento e vida, e o tempo se congelara para sempre, em um capítulo de si mesmo, enquadrado como uma peça de um quebra cabeças grande demais para se entender o que era, até que fosse montado.


O sol nasceu e se pôs ao menos dez vezes antes que as peças começassem à encaixar, pouco à pouco, peça após peça. Os dias viravam noites, e as noites viravam dias mais claros ainda, mas o tempo nunca parava, ao menos não fora daquelas pequenas gravuras, tingidas à luz.


Mas o quadro nunca estaria complecto, porque cada peça que nascia afastava mais a moldura, sem que ele percebesse. E anos se passaram, como gotas d'água em uma tempestade. Ele viu seu relógio fazendo tic-tac, e ficou alguns segundos acompanhando aquele ponteiro vermelho e fino, girando devagar, mas ainda assim mais rápido do que ele gostaria, e cada segundo que passava, cada movimento do ponteiro, era um segundo que nunca mais voltaria, era uma peça perdida.


Então ele entendeu que não haveria fim, porque as estórias de verdade nunca acabam, nós é que paramos de acompanhá-las.

quinta-feira, 28 de julho de 2011

La la la la...


Algum de vocês já conheceu uma Laila na vida? Às vezes parece um nome até comum, mas eu nunca tinha conhecido nenhuma, já vi umas Leilas, ouvi falar, mas é até difícil associar... Laila, Laaaaaaila, é diferente, muito mais elegante, bonito. Laila me lembra vermelho, lembra desde que eu conheci ela, quando ainda era “La”, ou “lailie.b”. Foi tão sem querer, tão “do nada” que é até difícil lembrar exatamente como foi, mas também já faz tanto tempo... Laila era uma garota, como deveria ser. Misteriosa, engraçada, perfeita e complicada. “Just a small town girl, livin’ in a lonely world”.

Laila vem de “Layl”, que por vez vem do celta, ou persa, algum desses povos que sabiam fazer tapetes caros. Layl significa “noite”, irônico não? Søren significa "Sol". O Sol pode encontrar a noite, em um eclipse solar, tão raro e enigmáctico, ajudou Einstein à provar que a luz tem pêso. Ou a noite pode encontrar o Sol também, em um eclipse normal, daqueles que a TV sempre diz que foi o ultimo dos próximos cinqüenta anos, mas acaba acontecendo de novo em uns dois.

Duas pessoas se conhecendo, tão banal assim como um pardal, mas o mundo é feito disso, encontros e desencontros. Nada de poder e dinheiro, guerras ou água... O mundo é feito de relacionamentos, se as pessoas não se relacionassem não existiria nada p'ra ser feito, e tudo acabaria em silêncio, uma folha ao vento, sem ninguém p'ra ver, ouvir, atrapalhar...

Palavras, palavras... As pessoas precisam de palavras. Acho que o mundo antes das palavras devia ser interessante, honesto. comunicação sim, mas em mensagens mais claras: um sorriso, um rosnar. Talvez antes da escrita, as pessoas dessem mais valor p'ra voz, um tom ao dizer uma palavra, um gagueijar de mêdo. Palavras escritas não dizem muito, só podem ter um significado, não trazem amor, ódio ou nada mais. Um azum é só um azul, sem tom, sem tristeza.

O mundo pós-Laila sempre foi um mundo novo, agitado, colorido. Fragmentado em pequenas coisas, que eram tão grandes juntas, que formavam um amontoado de bobágens inestimáveis. Em um canto uma mecha de cabelo loiro ao vento, no outro uma blusa vermelha amarrada na cintura, um cachecol recortado e um calendário riscado, dias que passam voando, noites que duram anos, a gente acaba se sentindo um só, tentando encontrar uma posição boa p'ra dormir no frio, como alguém que tenta usar seu braço no lugar do travesseiro que não tem, por qualquer razão.

A felicidade é engraçada, é fácil às vezes. Pode estar em um chocolate branco com recheio de cereais & passas, em um seriado ou uma meia de dinossauro. A felicidade vem fácil, mas é muito difícil quando ela vai embora, a gente quer sempre mais, fica sentindo que a vida deve ser assim: 110% felicidade.

Sonhos grandes, sonhos pequenos, sonambulando dentro de nós. Uma casa vermelha em uma floresta de abelhas, "her and me and her dog, in a little red house", duas andorinhas nas costas, tudo têm espaço atrás dos nossos olhos.

"A vida é feita de sorrisos e bolhas"... Ou de sardinhas-macacas, dinossauros azuis, barulhinhos caninos...

sábado, 23 de julho de 2011

Desenhos Perfeitos.


Oi oi.

As pessoas têm uma obcessão pela perfeição, ou não?

Eu acho estúpido isso, não existe beleza na perfeição... Coisas perfeitas não contam estórias, não podem ser melhoradas nem nada... Eu acho que as cicatrizes são o que torna uma coisa o que ela é, são seu passado e suas conquistas. Aquele joelho ralado e o cabelo cinza, hahaha.

Não gosto de telhas novas, prefiro as cheias de musgo, ou paredes limpinhas... Qual a graça? Roupas novas são gostosas, mas aquela sua calça que você não abandona há dez anos vale muito mais.

As pessoas são sem graça... Elas não entendem...

Se não doer como você vai saber se funciona?

Se você se sentir muito bem e confortável, é melhor começar à repensar se não tem algo de muito errado com você.

As pessoas me dizem que eu tenho que parar de beber, de fumar, que tenho que ageitar minha vida e trabalhar com algo seguro, que me garanta um teto e comida, mas qual seria a graça de tudo isso? Se for p'ra viver duzentos anos em uma bolha eu prefiro nem viver... E não estou dizendo isso porque eu sou viciado nos meus vícios, ou por ser apaixonado pelas minhas paixões. Eu digo isso por ser viciado nas minhas paixões e apaixonado pelos meus vícios.

Eu não acho triste o caminho que a humanidade tomou, só acho triste que os da minha espécie vivam se escondendo de mim... Quem sabe mais um demônio esteja escrevendo algo semelhante neste momento? Eu me desenhei muito, vai ser complicado achar alguém parecido à essa altura do campeonato.

Só tenho medo de me colorir, vocês conhecem a Síndrome do Desenho Colorido, né?

Como assim qual? Deixa eu contar...

Sabe quando você pega o seu lápis e faz aquele desenho maravilhoso? Mel delz, é tão lindo que merece ter cores! Mas quando você tenta pintar o dito cujo, acaba estragando tudo, irreversivelmente... O arrependimento de ter tentado torná-lo perfeito é tão grande, que nem dez mil desenhos limpariam a tristeza dos seus olhos...

Ou não.

Vai saber, né?

Sem mais, Nik.

quinta-feira, 21 de julho de 2011

Serotoniless.


Muitas pessoas que eu conheço fazem uso de anti-depressivos (anti-psicóticos, psicotrópicos em geral), o que é muito comum hoje em dia, mas acredito que nem sequer uma ínfima parcela destes conheça realmente seus efeitos e história. Logo, como bom samaritano que sou, vou falar um pouco sobre eles aqui.

Vamos partir do princípio, anti-depressivos não curam ninguém de nada, muito menos de depressão, que é uma insuficiência neurológica de serotonina, hormônio responsável por aliviar as dores emocionais, afetando os neurônios do indivíduo e provocando uma sensação de bem-estar. A depressão pode ser causada por factores biológicos (como uma incapacidade física de produzir o hormônio em sua quantidade certa, ou regular o mesmo), ou um factor externo, o que nós chamamos de "perda". Esta perda é emocional, pode ser desde um ente querido à um amor, emprego, objecto, membro... O anti-depressivo tem como função aumentar a produção da serotonina, mas não aliviar esta perda ou incapacidade biológica.

Para tornar as coisas mais fáceis, vamos fazer uma comparação simples e idiota: Troque "depressão" por "fome" e "anti-depressivo" por "Coca-Cola". Você pode beber grandes quantidades de refrigerante quando estiver com fome, assim seu organismo sentirá que o estômago está cheio, e a fome pode passar temporariamente. O problema é que isso não está matando a fome nem dando ao seu corpo o que ele precisa, apenas enganando seu inconciênte de forma que ele pare de sofrer.

Tratar da depressão biológica é algo muito complicado, mas também é muito raro, podemos nos focar na depressão mais comum, que nós vemos aqui e acolá? Para curar alguém dessa depressão, é preciso atacar a raiz dela, que é o sentimento de perda, o que pode ser feito de muitas formas, mas os psicoterapeutas estudam para isso, então o mais aconselhável é permitir que um faça esse trabalho.

Hoje a depressão está na moda, todos querem ter depressão, pois assim encontram desculpas para sua inércia, razões para se sentirem fracassados, mas não culpados. Diferente do que se imagina e se divulga hoje em dia, o número de pessoas com depressão não aumentou, apenas a capacidade se ser identificada, e as pessoas que erroniamente são rotuladas como depressivas, geralmente por sí mesmas ou pessoas próximas.

O uso de anti-depressivos faz com que a pessoa não se sinta triste, mas nunca pode tornar a vida de alguém melhor. É uma droga, e faz o mesmo que as outras: ilude o cérebro com hormônios. Os usuários de psicotrópicos se sentem bem, independente de como estão suas vidas, e raramente tomam alguma actitude para que ela melhore, pois se sentem confortáveis da forma que estão, e a dor é o que impulsiona mudanças, o que quebra a inércia. Estamos entrando na geração da Felicidade Artificial, uma geração marcada por hormônios de laboratório, comprimidos mágicos e pessoas dopadas, que andam pelas ruas como gazelas em uma planície rosa-bebê.

A terapia pode aliviar ou até mesmo acabar com o sentimento de perda, e pode usar de anti-depressivos no começo do tratamento para tornar o paciente mais calmo, mas o seu objectivo é cortar o uso das drogas desnecessárias, razão pela qual deve-se evitar psiquiatras, que não tem formação ou competência para tratar de maneira eficaz a depressão.

A história dos anti-depressivos é marcada por muitas confusões, sangue e uma das maiores vergonhas que a medicina já passou. Nos anos '30 um neurologista português, Egas Moniz, criou uma operação que chamou de "leucotomia pré-frontal", alegando que com ela podia aliviar males emocionais, e submeteu imediatamente vinte pacientes ao procedimento, de depressivos à esquizofrênicos. Sua falta de rigor, imprudência e, se me permitem a palavra, noção, foram ignorados pelo êxtase na comunidade terapêutica, e mais de dez mil operações foram feitas nos USA até 1949, além de mais dez mil nos dois anos posteriores, até que Egas Moniz recebesse o Prêmio Nobel. A operação era feita da forma mais primitiva e absurda que o imaginário podia alcansar, com a incisão de um picão de quebrar gêlo entre o globo ocular e a pálpebra, mechendo o lobo frontal de um lado para o outro. Os paciêntes (surpreendentemente) não morriam com o dano, mas ficavam debilitados psicologicamente, e "bobos" pelo resto de suas vidas. Chapados, dopados, eternamente. Ao contrário do que se imagina, o procedimento foi tido como um milagre e nunca foi censurado, até que os psicotrópicos vieram para substituí-lo, gerando um efeito semelhante, porém menos violento e reversível.

Sabe-se que o lobo frontal é responsável principalmente pela personalidade da pessoa, e mesmo tendo algumas outras funções, elas podem ser executadas por outras áreas do cérebro sem problemas. Danificando o mesmo, a pessoa perde sua habilidade de se destacar como alguém inteiro, e passa a ser pouco mais de um animal sem reflexão, vagando pela Terra com um corpo humano.

Bom, depois eu falo mais sobre esse assunto tão interessante, ao menos p'ra mim. :)
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P'ra quem não sabe, estou vivo, e bem, na base do possível p'ra um humano não-practicante vivendo no Brazil. :)

sábado, 15 de janeiro de 2011

E.T.I.


Tenho visto muito The X Files ultimamente... Eu não sei se já comentei aqui no blog, mas eu gosto de estudar ufologia, faz mais de oito anos que leio artigos, revistas, livros... Antes que pensem que sou um Fox Mulder da vida, eu não acredito cegamente na existência de vida inteligente fora do planeta (não sei nem se acredito que haja dentro do planeta). Eu acredito em possibilidades, e admito que é possível que exista.

Gostaria de começar dizendo que a grande, imensa, maior parte dos ufólogos, são idiotas paranóicos, e isso inclui muitos famosos e respeitados. A imaginação é uma coisa muito poderosa, ela nos fez voar, ir ao fundo do mar, transformar metais e plástico em máquinas, e água corrente em eletricidade. A imaginação é tão poderosa, que transforma a mentira em certeza.

"A verdade está la fora. Assim como as mentiras".

Existe um consenso geral, de que muita coisa poderia ser explicada com visitas extraterrenas: religião, tecnologia, ciência, evolução...

Imagine que há alguns milhões de anos, um cara meio distraído estava voando tranqüilo p'ra constelação de Pégasus, onde pretendia tiras umas férias, nadar nas piscinas de plasma de um hotel barato, esfriar a cabeça daquela vida de escritório burocrática, que ele levava no seu planeta, o KY 2-maçã...

Este cara acaba sem gasolina, e tem que parar em algum lugar p'ra esperar o reboque... Ele pousa na Terra e sai p'ra dar uma volta, afinal todos sabem que reboques demoram p'ra cacete, oh caras vagabundos... Andando pelo planeta, ele vê milhares de animais e plantas estranhos, mas não consegue parar de pensar que está pagando reserva no hotel e vai perder um dia inteiro nesse lugar chato. Esperando e esperando, ele percebe que uma das espécies dos animais que aqui residiam, não tinha medo dele, e na verdade eram muito doidos esses bixos, uns animais peludos, com rabo longo que usavam como se fosse um membro, se balançando de um galho pro outro, jogando coisas no coitado. Ele achou aquilo tão engraçado, que resolveu dar um presente p'ra eles, deu um leve choque de genes novos no bichinho, assim ele poderia ficar mais inteligente e aprender à correr depois de jogar as coisas, p'ra viver um pouco mais tempo.

O reboque chegou e ele pôde ir embora, p'ras suas merecidas férias.

Milhares de anos depois, estamos aqui, jogando coisas uns nos outros, e correndo depois.

Genes de palhaço que nos foram dados, genes que nos levaram à criar todo o tipo de coisas inúteis, dentre elas o... Rádio!

Hahaha, rádio, quem diria... Nós sem querer querendo começamos à mandar mensagens, músicas, pornografia barata, tudo sendo jogado p'ra todas as direcções possíveis no espaço... Mas esquecemos que não podemos correr daqui.

Logo após a criação do rádio, começaram os avistamentos de OVNIs, o que cai como uma luva na estória, não acham?

O nosso velho amigo de milhões de anos atrás não existe mais, ele se matou faz muito tempo, não suportou a pressão do trabalho. Mas alguns amigos dele, alguns inimigos e desconhecidos, receberam as mensagens e pensaram "WTF?"... Vieram ver o que estava acontecendo e encontraram isso: macacos sem pêlo andando por aí, jogando coisas uns nos outros e correndo depois, olhando p'ra cima e p'ra baixo, procurando desesperadamente alguma coisa que não sabem o que é... Chamando de Deus, Chuck Norris, Lucifer...

Ficaram vendo, dando uma cutucada às vezes, p'ra ver no que dava. Normal ué.

Muita gente pensa "eles vieram p'ra nos destruir, querem ficar com nosso planeta"... Pois eu digo: se quisessem, já o teriam feito faz tempo, e tenho certeza de que eles têm quanta água e O² quiserem, não são retardados.

Outros vem com a estorinha de que "eles vêm p'ra nos ensinar coisas novas, nos adoptar...". Aham Claudia, senta lá.

Quando você vê um formigueiro, você oferece açúcar, cobertores e se oferece p'ra aumentar a colônia? Cala a boca, você vai olhar um pouco, pisar em uma ou outra e depois vai embora.

Eu não estou assumindo existência de nada, quero deixar claro. Só estou assumindo a possibilidade de que existam essas coisas, assim como a possibilidade de todo OVNI avistado fazer parte do exército Americano, criado na Segunda Guerra... As teorias são muitas, algumas muito boas.

A minha teoria é o seguinte: os humanos são muito vagabundos, e gostam de ter algo em que acreditar, p'ra se agarrarem e sentirem seguros.

Só isso.

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

One Way Ticket


"Missão espacial suicida procura voluntários habilidosos para árduo treinamento".

Não saiu no jornal, mas é uma possibilidade que surgiu no final de 2010. Sei que eu nunca trouxe notícias p'ra vocês, mesmo porque o objectivo do blog não é este, mas achei deveras interessante quando ouvi essa estória, e hoje estava lembrando disso.

A Nasa estava cogitando a hipótese de enviar astronautas à Marte, one way ticket. Uma viajem apenas de ida, seria muito mais fácil de ser organizada, e mais barata.

Astronautas treinados durante anos, seriam mandados para examinar o planeta vermelho, e viver nele até que uma outra missão os resgatasse, ou até que eles morressem mesmo, tanto faz.

Obviamente, a ética não permite que a Nasa ou qualquer outra entidade escolha os "coitados", mas eles poderiam ser voluntários, assumindo o possível risco de nunca mais voltarem.

E aê, quer dar um passeio em Marte p'ra sempre?

Não seria nem um pouco estranho, caso o governo bancasse a família dos astronautas pelo resto da vida, com uma pensão de encher a pança... Não que eles realmente fossem precisar, porque nunca vi astronauta de família pobre, mas este não é o caso...

Acredito que muitos de vocês devem estar pensando "poha, além de ajudar a ciência e fazer algo muito louco pelo que eu sempre acredito... Vou ficar famoso e garantir uma vida boa p'ra minha família!".

Agora pensem em apenas uma coisa... Qual a diferença entre isso e um homem-bomba muçulmano? Quer dizer... Ambos vão se matar pelo que acreditam e garantir um futuro bancado p'ras suas famílias.

Claro que não esperamos que os astronautas matem ninguém indo p'ra Marte, mas isso fica p'ra outra estória...

Eu estava pensando nisso hoje... Tenho que reflectir um pouco mais, é um assunto delicado.

Ou não.

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

I wanna know where people go, when they cross to the other side...

Oi oi...

Ontem um dos nossos filhos morreu atropelado... O Torpedo.

Engraçado, que eu sempre disse que não gostava dele, sempre de brincadeira. Dava bronca, às vezes até batia de leve na cabeça dele p'ra ele parar de fazer coisas erradas, mas eu sempre gostei dele, muito. Eu sempre disse que o Mafagafo era meu protegido, que ele era o mais lindo, o mais divertido... Mas quem sempre estava no meu colo, era o Torpedo.

Eu estava no computador, conversando, quando umas meninas começaram a gritar pela Nanda da rua, eu pensei "alguma amiga doida dela visitando de surpresa", e ela foi ver o que era. Quando ela gritou "Nik!", pensei "problema, deve ser uma ex doida dela com uma gangue"...

-Tudo bem?

-Vem aqui... O Mafa morreu...

Nisso eu gelei, vi um corpo estirado na rua, saí correndo p'ra ver se ele estava bem, enquanto a Nanda em choque entrava chorando em casa... Não precisava entender de biologia p'ra saber que ele estava morto, mas meu maior medo era exatamente que ele estivesse vivo, ou melhor, sobrevivo. Se ele estivesse, teria sido mil vezes pior, porque eu teria que matar aquele filho, aquele amigo, que eu dez minutos atrás estava coçando a barriga... Vocês podem achar que é exageiro, que eu sou sangue-frio e não sei mais o quê, mas a morte dele me fez muito mal, e eu gostava muito dele, mesmo dizendo o contrário, sei que ele sabia disso.

Se querem saber, eu vou sentir falta do Torpedo, muita falta, vou sentir falta de coçar a barriga e o queixo dele, falta de colocar ele no colo e desarrumar os seus pêlos, falta de brigar com ele quando me mordia ou arranhava minha calça... Não me importo com cicatrizes e calças, eu queria o Torpedo de volta...

Eu não gostava mais dele, ou mais de outro. P'ra mim cada um era um: o Mafagafo era o bonitinho, fresco, que eu paparicava, mas nunca deu bola p'ra mim. O Sem Nome era o bobão, brincalhão, que eu estava sempre irritando, mas sempre do lado. O Negão era o Negão, o boêmio sem cura, que não aparecia em casa quase nunca, mas quando aparecia sempre cuidava dos outros e dormia comigo... E o Torpedo era aquele que eu xingava, dava bronca, dizia que era feio e chato, mas ficava o dia inteiro no meu colo, enquanto eu revezava entre minhas atividades diárias e fazer carinho na barriga dele, vendo aquela carinha de sono dele...

Eu não espero que vocês entendam, mesmo porque nem os conheceram, e não pensem que eu nunca perdi um bichinho de estimação, já perdi muitos, e sempre foi doloroso, porque eles são amigos p'ra mim, literalmente...

Depois de vê-lo estirado no chão, não queria que a Nanda tivesse que ver também, então o tirei delicadamente da rua, enquanto uma matilha de manos retardados gritavam "opá! Vai ter churrasco hoje!". Eu pensei em bater neles. Todos eles. Eu cogitei muito essa opção, mas achei que o mais importante na hora era cuidar do Torpedo. Peguei uma caixa de sapato minha, novinha, e o coloquei lá dentro, direitinho. A Nanda me deixou usar uma escumadeira velha p'ra cavar, já que não temos pás em casa, eu o levei até um terreno que nós usamos periodicamente p'ra empinar pipas, e cavei, cavei... Eu não queria que ele fosse enterrado raso, porque algum animal podia o desenterrar, e aquela pá improvisada não ajudava muito... Cavei com as mãos, o mais fundo que eu pude, e não parei quando as mãos começaram a doer, só parei quando a cova chegou à profundidade do meu braço, pois não podia fazer mais nada. Parte da terra eu usei p'ra encher a própria caixa, assim não haveria muito ar que permitisse que o cheiro atraísse carniceiros. A coloquei devagar no seu lugar, e enterrei meu amigo...

Não sei exatamente por que estou escrevendo sobre isso, muito menos por que estou escrevendo de forma tão detalhada, mas acho que é p'ra eu poder parar de pensar nisso logo, deixar ele descansar em paz...

Torpedo, I miss you.

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Tudo rosas...



Eu não sou menos idiota que o resto do mundo... Só tenho conciência da minha estupidez, por mais que ainda não seja plêna.

Fico me perguntando se existe outra pessoa igual à mim dentre esses bilhões de animais classificados como humanos... Gostos iguais, idéias, filosofias e desgostos também, porque não?

Acho difícil, ao menos pelo que eu tenho visto... Mas, se existir, espero que seja uma bela garota. Hahaha

Me deixem sonhar, "meu único direito é o de ficar calado".

Calado ou em prantos, minha única fuga é a Terra dos Sonhos. Mas até em nossos sonhos encontramos decepções e amarguras.

Talvez eu seja um casúlo, esperando pacientemente pelo dia em que minhas asas apareçam e eu possa ser feliz, ou não.

Estamos sempre desejando a perfeição, não é? Mas eu estive pensando nisso, durante um intervalo entre pensamentos de igualmente nula importância, e dois casoa me vieram à mente:

1) Quando comecei à estudar Fotografia, eu sabia que eu não era muito bom, apenas acima da média dos fotógrafos. Mas conforme fui estudando e me aperfeiçoando, percebi que a evolução não era grande coisa ou, ao menos, lenta demais p'ra me manter interessado. Acabei me afastando um pouco, perdendo a atração, pensando "se não posso ser o melhor, por que continuar?".

2) Em uma das minhas "viájens à negócios" à São Paulo, dividi o ônibus com uma garota (e mais umas trinta pessoas), e embora ela não tenha se sentado ao meu lado, como sempre, ela estava relativamente proxima, então pude infelizmente ouvir e vê-la a viajem inteira. Ela era linda, ao menos o meu ideal de beleza feminina em sua plenitude, e estava sentada ao lado de uma amiga, que não passava de uma versão piorada dela mesma (o que a fazia brilhar mais). Conversaram sobre como ela havia passado em Música na USP, mas não queria fazer porque escolheu Regência, e não a agradava muito, diferente de Piano, Guitarra, Violão, Baixo e Bateria, instrumentos que ela tocava faz anos, pois seus pais são músicos. Depois de tudo isso, a garota-perfeita de 18 anos disse "acho que vou ler um pouco", assim permitindo que sua amiga já farta de tanta humilhação dormisse em paz. Pensei em ver que livro ela tiraria de sua bolsa discreta mas elegante, como ela própria... Mas quando ela sacou aquele livro de capa-dura, aproximadamente quatrossentas páginas, cor pastel... Achei melhor nem saber do que era, porque meu dia já estava estragado. Fechei o meu livrinho Best Seller de psicologia e tentei dormir um pouco, rezando p'ra não sonhar que a menina me engolia vivo (talvez desejando exatamente isso).

Resumindo... Ao menos eu, persigo com tanta ferocidade a perfeição, que abro mão de tudo em busca de algo que seja melhor, mas quando encontro algo aparentemente perfeito, eu sinto tamanha inveja e vergonha de não ser "merecedor" do objeto de desejo, que me afasto, pensando que é melhor uma garota qualquer, submissa e apaixonada idolátricamente, do que uma que me faça de gato e sapato (porque sei que ela poderia fácil).

Solução? Acho que nem toda foto precisa ser perfeita, às vezes palavras mal pronunciadas podem transmitir uma mensagem perfeita, e se só existissem coisas perfeitas, não existiriam coisas p'ra todo mundo.

Quanto à garota... Sei que ter alguém assim deve ser mágico, um sonho acordado... Mas qual o sentido de se sonhar se o mesmo ofuscar você, te transformando em um mero espectador do ambiênte?

Vou pensar um pouco mais a respeito... Estou no ônibus voltando p'ra Marília, sem garotas perfeitas, mas a senhora ao meu lado quer me adoptar, como sempre.

Bjusmeliga. ;)

sábado, 11 de dezembro de 2010

Just imagine.


"Conte-me uma estória, me leve p'ra um mundo novo, pois este no qual nascemos, é um que nunca entenderei"

Vamos ser lógicos, racionais, e idiotas:

Digamos que, hipoteticamente, por exemplo, você esteja sonhando agora. Digamos que, quando você dorme, na realidade você está acordando p'ra sua vida real, por alguns minutos, dias, anos... Mas quando você voltar a dormir, ou melhor, acordar, apenas se lembre de pequenos fragmentos da sua vida real, que na verdade é o seu sonho. Imagine que esteja tudo errado, e assim talvez tudo fique certo.

Imagine que tudo o que eu falei agora não aconteceu.

Agora imagine que tudo o que você sabe seja verdade, mas errado. Imagine que a vida é mais do que dois reais, e que tudo o que desprezamos seja o que realmente importa.

Imagine que aquele idiota que você não deu bola quando era pequena, fosse o grande amor da sua vida, e agora você está sozinha e ele desperdiçando o amor que tinha por você com outra idiota, que também está sofrendo por isso.

Digamos que tudo esteja certo. O problema é que só existe espaço p’ra uma verdade na vida.

Digamos que tudo está errado. O problema é que tudo está lá, então como pode ser mentira?

Pense naquela fruta que está apodrecendo na sua geladeira. Um dia ela não era nada, esperando p’ra que uma semente se tornasse uma árvore, e que essa árvore se tornasse grande o bastante p’ra que o Sol lhe desse a capacidade de criar novas sementes, que estariam guardadas envoltas em um doce néctar, esperando que um mamute moderno as comesse e quem sabe, talvez, as enterrasse em meio ao seu fértil estrume, quando andasse por um campo próximo no dia seguinte.

Pense que ela está congelada e morrendo, e você além de não comê-la, também não vai plantar em lugar nenhum.

Toda a existência de uma fruta... Perdida porque sua mãe nunca percebeu que você não gosta de pêssegos.

Imagine que eu tinha algo melhor p’ra dizer.

Imaginou? Agora esquece.

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

A.I.

Inteligência...

Ontem tive uma briga séria com a Laila por causa disso, e como eu acredito que a verdade é universal, e não relactiva como muita gente erroneamente pensa, vou tentar provar isso.

Na verdade não deveria ser difícil provar isso, pois exemplos baratos deveria ser capazes de fazê-lo por si só:

Nunca viu uma pessoa que não era boa em nada? Ou uma que era boa em quase tudo que tentou fazer na vida? Isso deveria ser o suficiênte p'ra mostrar como existem pessoas mais inteligentes, mas vocês poderias refutar com o argumento de que todos têm a mesma capacidade, e alguns apenas usam mais do que outros. Mas eu rebateria dizendo que as ligações neurológicas são o que forma a inteligência, e não o número de neurônios... Essas ligações são formadas principalmente durante a infância, e são causadas pelo uso do cérebro de forma lógica e racional, elas até ocorrem durante a idade madura, mas são muito mais fracas.

Resumindo: a inteligência vem da utilização do cérebro, e ela não é igual em todas as pessoas. Acredito que existem pessoas com "preguiça" de pensar, seja lá em quê. E infelizmente essas pessoas são a maior fatia do mundo.

Claro que inteligência não é tudo, ainda existe sabedoria, esperteza, e milhões de outras qualidades psicológicas mas elas vão ficar p'ra outro post.

Podem dizer que "cada um teve uma vida própria, e experiências próprias", mas sabemos que mesmo sob as mesmas experiências, existem pessoas que absorvem aprendizado consciente, e outras não aprendem nada. Uma pessoa saber muito sobre um tema, não significa nada, pois até o astrofísico mais sábio do mundo em sua área, não gasta nem um por cento de sua capacidade nisso. Logo, um idiota que dedicar sua vida inteira p'ra algo, vai acabar sendo bom nisso, mesmo sendo incompetente em todo o resto.

Devemos medir a inteligência de uma pessoa no geral, e em como ela reage à informações novas.

É um pensamento muito bonitinho de que "todos são iguais e as núvens são feitas de algodão-doce", mas não passa de lixo p'ra mim.

Sempre existirão os Peões do mundo, sem capacidade alguma, e os Reis. Assim como precisamos dos Cavalos e até dos Bispos, por que não? Nossas Torres e Rainhas, mas p'ra cada Rei terão oito Peões.

Vamos deixar logo de hipocrisia e aceitar a verdade universal, parar de achar que gostos são mais importantes que qualidade, e que todos têm o direito de ferrar tudo.

Acho que o post ficou muito furado, porque não estou com vontade suficiênte p'ra escrever um livro aqui, e em poucas palavras não dá p'ra explicar direito...

Qualquer dúvida, contra-argumentação, reclamação ou insulto, favor atacar a área de comentários.

Até.

terça-feira, 16 de novembro de 2010

A morte tem que ser triste?

Andando na rua senti uma vontade forte de explodir, como se eu fosse uma bexiga cheia com seis lítros de sangue quente, que pintaria as ruas, paredes, carros...

Talvez isso represente a vontade de me notarem, ou apenas a vontade daquela dor que nunca passa ser dividida em milhões de gotas.

Talvez eu escrevesse um testamento antes, dizendo coisas como "deixo a Dalilla pro Tiago, e a Sarah p'ra Lari"...

É, eu poderia fazer isso agora, vejamos como seria:

Deixo a Dalilla, minha guitarra, pro Tiago, que é um grande amigo que sempre me trouxe bons momentos, se não for o melhor. A Sarah, minha câmera, gostaria que ficasse com a Lari, que é uma pessoa tão especial, mas não tem plêna noção disso. Meus livros eu gostaria que ficassem com a Cris, grande filósofa que me ajudou muito já, com abraços e berros. A Nanda fica com minhas roupas, hahaha, acho que ela ia gostar de uma coisa ou outra.

Na verdade, agora que parei p'ra fazer isso, vejo que não tenho mesmo muita coisa, acabei tendo mais amigos do que heranças. Queria deixar algo pro Bruno e pro Carioca, pro André e p'ra Bruna, p'ra Stephanie, por que não? Queria dar um mundo p'ra cada uma dessas pessoas que eu gosto tanto, mas não tenho nada.

Nunca quis ter nada, é verdade. P'ra mim a vida nunca teve sentido, então viver como um Rei ou um Hippie não tinha muita diferença, não queria construir nada.

Se quiserem mesmo saber, eu não quero trabalhar sem ser útil p'ra nada, não quero salvar o mundo nem destruir ele, e diferente de Knulp, eu não quero nem observar. Queria me congelar e acordar em dez mil anos, mesmo que fosse um apocalipse de vulcões e animais gigantes cospindo veneno, seria melhor do que esse dia infernal de hoje.

Um dia eu sumo de verdade, vocês vão ver.

Vou me cremar e vão passar anos me procurando, enquanto minhas cinzas voam sem estórias p'ra contar.

Nada do que eu tentei fazer na vida deu certo, e olha que eu nunca tive nenhuma grande ambição. Nunca quis ser um Rock Star nem nada, se eu conseguisse compor uma música, que fizesse alguém, mesmo que uma criancinha desconhecida, sentir o que eu sinto quando escuto What The Worst That Could Happen por exemplo, eu já seria a pessoa mais feliz do mundo.

É tão fácil me fazer feliz, as pessoas não percebem isso. Eu tenho a minha timidez extrema que disfarço com minhas palhaçadas, mas cada abraço é uma explosão de felicidade.

Não consigo fazer tanta coisa que quero, mesmo sabendo que é fácil demais. Não consigo dizer pro meu Pai que amo ele, e ele está morrendo. Não consigo pegar um maldito ônibus p'ra Elói Mendes nem dar um soco na cara daquela pessoa que eu odeio. Nunca consigo fazer nada, que inferno.

Queria que uma vez na vida, só uma, eu saisse do papél e fizesse alguma coisa.

P.S.: AAAAAAAAAAAAAAAAAAAHHHHHHHHHHHHHHHHHHH!

sábado, 6 de novembro de 2010

Post Perdido1

Sempre que eu encontrar algo que escrevi com o intúito de postar aqui, mas esqueci, vou seguir esse padrão de título e... Bom, de título.
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Oi oi.

Hoje eu estava filosofando bastante, e filosofar seguindo a minha filosofia é dar voltas em torno de alguma coisa tentando descobrir o que tem por baixo.

Pensei sobre a Lua, sobre o Sol e sobre como ele nunca deixa ela tocar nele... Sobre o fogo e a água, e como ele esquenta ela, mas se ela tocar nele acaba o matando.

Pensei em muitas coisas, e como sempre não descobri o que tem em baixo, porque mesmo deduzindo, nunca teremos certeza até levantar a coisa.

Dizem que o cérebro é um músculo que deve ser usado constantemente p'ra crescer forte... Mas quem diz isso não sabe que o cérebro não é um músculo! Hahaha

Eu comprei um livro hoje, que chama Dialectica Errística... E o título não é o mais complicado dele, acreditem.

Sabe aqueles escritores que gostam de falar difícil e pagar de intelectuais? Pois é, o livro é 30% sobre o tema, e mais 70% de comentários e explicações de um autor brazileiro que adora palavras cabeludas.

O autor original é um daqueles alemães do séc. XIX, que tinham sobrenome de cerveja, e provavelmente teve vinte filhos com uma mulher que nem conhecia o nome direito.

Schopenhauer... Isso que é nome de homem mano!

O prefácio do meu post já está enorme, deixa eu começar isso logo.

Esses autores são tidos como pessoas inteligentes e cultas por usar palavrossauros dos mais diversos calíbres, e sempre que possível confundir nossas mentes com idéias absurdas que nos trazem aquela sensação de dislexia adquirida.

Quando vocês os acham grandes cultössaurus erectus por isso, só estão jogando seu jogo.

É importante ressaltar que, o recipiente que nos trás a informação, é tão importante quanto a cor da latinha do seu refrigerante.

Sempre que eu vou escrever algo, tento ser claro, não necessariamente directo, mas gosto de pensar que não vai ser uma leitura cansativa... Gosto de dividir em muitos parágrafos, pois assim o leitor tem mais intervalos e se sente menos cansado, mas claro que nem sempre isso é possível.

É uma pena que quando eu terminar algum dos meus dez mil livros, sua leitura vai ser tão símples que será tido como uma obra menor, ou serei o novo Charles Bukowski?

Durante minhas viágens filosóficas sob a luz da Lua, me encontrei em um grande dilema: se um homem nunca se banha duas vezes no mesmo rio, e um rio nunca banha duas vezes o mesmo homem, como um homem só pode escrever um livro? Escrever um livro é um processo demorado, à menos que você escreva um lixo como Twilight, o que não deve levar mais de um mês.

Digamos que eu levasse um ano p'ra escrever meu livro... Em um ano eu mudei muito, me tornei outra pessoa, com outros interesses e prioridades... Um romance escrito em plêna metamorfose pode ser um conto só? Se eu ficar um mês sem colocar uma palavra no papel então, a leitura será mais prejudicada ainda, onde entre um capítulo e outro tanto a escrita, quanto as personágens e hambiente serão drasticamente mutados!

Pensando nisso, acreditei ter resolvido o problema ao reescrever o livro assim que terminado, de forma rápida e mudando tudo para que fique da forma mais uniforme possível. Então que surge mais um problema! Se eu fizer isso estarei matando as personágens, e destruindo meu próprio livro, escrito pelo antigo eu... Que coisa triste, estou nesse dilema moral agora, "matar ou não matar".

Aceito opiniões nos comentários, não que eu vá levar em conta. :D

De qualquer forma, espero que tenham entendido.

Sem mais, Nik.

Got the power!


Power! Oh, feel the power!

Poder, poder... Uma palavra poderosa, não? Mas o que é o poder, se não a capacidade de algo?

Se eu tenho a capacidade de convencer alguém à algo, se eu puder direcionar alguém à algo, então eu tenho o poder para isso.

As pessoas confundem muito, e é minha obrigação moral ser a luz que guia seus passos em falso. Hahaha

Ter poder é importante sim, ter poder é ter liberdade para isso ou aquilo, mas o que as pessoas não lembram é que a liberdade não é nada além de mais elos na corrente que te prende ao chão.

"Afinal, o mais triste dos pássaros é o que foge de sua gaiola p'ra se ver prisioneiro dos céus"

Pense em uma pessoa poderosa, mas uma muuuuito poderosa mesmo, e não pode ser eu!

Pense no Bill Gates, o homem mais rico do mundo... Ele é poderoso, pode ter quase qualquer coisa que quiser, mas ele morre com as mesmas feridas que você ou eu, sofre das mesmas dores de cabeça e corações partidos.

É preciso compreender que existem tipos e tipos de poder, tantos quanto estrelas no céu ou coisas para se fazer. Bill Gates tem poder faraônico sobre assuntos materiais, financeiros. Mas suas palavras não valem muita coisa, principalmente em quesitos científicos, por exemplo. Se Bill Gates quiser contrariar a Teoria da Evolução das Espécies, ninguém vai se dar ao trabalho de ler o que ele tem à dizer... Porque ele não tem poder nessa área. Ele não tem o poder p'ra ganhar um campeonato de Skate ou p'ra criar um medicamento que cure um câncer.

Para se ter poder, ou se constrói algo, ou se ganha. Mas nem tudo se pode ganhar, e presentes não duram p'ra sempre.

*horas depois*

Acabei de abrir essa coisa "sem título" e percebi que eu tinha parado no meio de um texto... Esqueci de terminar isso p'ra postar.

Mas tudo bem, resumindo: o poder mais importante que se pode ter, além de ser invisível e voar, é o poder de não fazer nada.

Aproveite seus super poder, seja ele fazer leite ou hibernar. ;)

domingo, 17 de outubro de 2010

Xico Xav.


Oi oi.

O que vocês acham de espíritos? Tipo, baixar o santo mesmo, um doido morto encarnar em um mais doido ainda vivo p'ra falar besteira e fumar charutos.

Eu, particularmente, acho a mentira mais produtiva que já criaram. Hahaha

Veja bem, eu posso escrever um livro, muito ruim, mas dizer que quem escreveu ele foi o espírito do Zé Mané tal, e assim um milhão de otários vão comprar aquele lixo, e o dinheiro vai p'ra... MIM!

Não é genial? Usar a estupidez alheia p'ra ganhar dinheiro nunca foi novidade, mas essa onda de espíritos foi um Bang! na palaçada.

Quem sabe eu não escrevo um livro chamado Moon Walking, e coloco na capa "Pelo espírito de Michael Jackson"?

Haha! Vou ficar rico!

P.S.: Estão acabando as fotos minhas p'ra colocar aqui, vou começar à colocar outras coisas até tirar fotos novas. :(

sábado, 16 de outubro de 2010

That's Heavy...


Oi oi.

Estou na casa da minha avó agora, tentando imaginar que estou em algum outro lugar do mundo...

Meu primo está jogando cinuca no PC, enquanto fuma cachimbo e enche a casa de fumaça, com um berimbal do lado e cantando a seleção que ele fez das piores músicas do The Cult, mas está cantando em algo que parece um idioma africano perdido no tempo, e balançando seu chacoalho fora do compasso... Já comentei que ele está mexendo nos meus LPs?

Eu não mereço isso.

Mas me faz pensar... Será que eu peso tanto nas outras pessoas quanto ele pesa em mim? O cara é muito pirado meu, ele está falando alguma coisa comigo, mas estou com os fones ignorando ele, e fazendo de conta que não vi que ele está olhando p'ra mim.

Eu não posso ser assim.

Acho que na verdade essa é a razão pela qual eu não gosto de ficar aqui mais de um dia, ele pesa tanto que eu sinto a depressão entrar no meu corpo pelos olhos, ouvidos, pele, narinas... Qualquer meio de contacto com ele é uma porta p'ra sentimentos depressivos.

Anyway, é melhor eu retirar o que disse em relação às japonesas antes que eu tenha problemas.

Mas vou explicar o que eu quis dizer com "demônios que levam sua alma": é um traço cultural no Japão que amor é uma besteira, e que você deve se envolver com alguém que possa te oferecer algo como estabilidade financeira e social. Na verdade, no Japão até hoje eles vivem muito pelo status, e a primeira coisa que as japonesas querem saber sobre um cara é o cargo dele... Curiozamente, elas se interessam pelo cargo, mas nem tanto pelo salário. Um gerente que ganha mil ienes por semana vale mais do que um funcionário que ganhe dois mil por semana.

Isso torna as japonesas criaturas frias em sua escência, mas é claro que isso não vai se aplicar tão bem à descendentes que foram criadas por japoneses que não seguem as tradições. Aqui no brazil o lance é bunda, pagode e football, então uma sansei raramente vai levar em conta sua cultura esquecida há gerações.

Bom, não sei se ajudou alguma coisa, mas também já bebi muito p'ra me importar com isso agora.

Sem mais, Nik.

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Oi oi oi oi oi oi!


Oi oi.

Eu sei que essa mania de falar "oi oi" é muito gay, mas a maioria de vocês já acha que eu sou gay mesmo, então tanto faz.

Anyway, vocês devem pensar que eu estou postando pouco por não ter o que falar, ou porque não fiquei satisfeito com a incrível marca de quatro leitores casuais.

E estão certos.

Mas eu posso falar sobre isso, p'ra que vocês entendam. :D

Vejam bem, eu morando em SP raramente saía com alguém, porque é mais difícil... Todos estão ocupados, moram longe, ou têm medo disso e daquilo. Minha rotina era basicamente trabalhar de dia, sozinho, e conversar com pessoas de sanidade duvidosa pela net.

Em suma: eu tinha muito tempo para gastar com frases vazias, repletas de palavras brilhantes.

Agora que estou morando em Marília, não fico sozinho quase nenhum minuto, nem quando estou dormindo. Eu falo muito, o dia inteiro, e quando tenho um tempo p'ra usar a internet não estou com muita vontade de falar mais do que o necessário.

Unindo isso ao facto de eu não entrar muito na internet com o meu Note, o Blog criou algumas teias de aranha.

Quanto ao número de leitores, não fico triste por poucas pessoas lerem o Blog, pois na verdade já são muito mais do que eu esperava. O que me deixa triste (momento Emo) é que muitas das pessoas que liam ele não mais o fazem. Vocês me abandonaram! :'(

Estou em São Paulo hoje, cansado, p'ra variar um pouco... Essa cidade me deixa triste, mas eu gosto daqui. Talvez seja a lembrança das coisas boas que passei aqui.

Bom, sem mais, Nik.

Bjsmeliga.

domingo, 10 de outubro de 2010

Profissão Consumidor (plus Harnellismo)


Olha só! Julgo pelo título, até dá p'ra pensar que esse blog não é uma piada ambulante, parece algo politizado e importante...

Mas espera um pouco... Tiririca ganhou a eleição! Hahaha, ele é um palhaço político, e eu acho que isso é importante.

Mas eu não vou falar sobre política hoje, porque vocês me decepcionaram muito nessa eleição... É a melhor oportunidade que temos p'ra meter uma bala na cabeça desses idiotas e ninguém fez nada. Brazileiro é um bicho inútil mesmo.

Hoje eu estava tomando meu banho corriqueiro, quando percebi que o shampoo era uma lenha da Seda que se diz profissional. Hmm... Or outros shampoos não são feitos pro profissionais? Isso me preocupa um pouco. Ou será que ele foi desenvolvido p'ra ser usado por profissionais? Nunca vi ele em um salão, e é vendido como um item de uso simples, por qualquer um...

Isso me lembra de um cigarro que eu fumava uns tempos atrás... Se chama Gudan Garan, mas talvez você conheça pelos apelidos "Rasga Garganta" e "One Way Cancer". Ele diz em sua box "Professional Cigar"... Isso nos leva de volta ao dilema: Os outros não são feitos por profissionais? Agora sim isso me preocupa muito! Um bando de pessoas fazendo o meu cigarro por hobbie?! Nem pensar! Mas calma, posso ter entendido errado... Quem sabe virou profissão fumar? Pode ser isso.

Por falar em profissão, essa semana eu estive muito puto com o Tony Harnell, talvez porque tenho conversado um pouco com ele pela internet. Imagine Deus. Agora imagine Deus com um corte de cabelo muito loko e roupa de couro. Entendeu o que eu estou dizendo? Vou falar um pouco sobre ele e vocês vão concordar comigo: o cara é filho de uma cantora de ópera e um fotógrafo, quando adolescente foi skater profissional, assim como eu gostaria que tivesse acontecido comigo, mas tudo bem... Depois ele deixou o Skate p'ra se tornar fotógrafo profissional de esportes... Maldito fez tudo o que eu quis na vida. Mas calma, depois disso ele largou tudo p'ra virar cantor, e montou uma bandinha de garagem, chamada The Jakals... Conhece? Nem eu, acho que nem existe gravação de nada dela, mas ele mandou uma demo p'ra uma banda norueguesa chamada TNT, que havia acabado de ficar sem vocalista... Resultado? Ele entrou na banda e levou ela p'ra uma era de ouro, transformando-na em uma das maiores bandas dos anos '80, e se tornando um dos vocalistas mais conceituados do mundo até hoje.

Ele saiu do TNT no começo dos anos '90, sem brigas nem nada, e montou um projecto besta, só p'ra se divertir, chamado MorningWood. Era algo no mínimo bizarro: baladas super-cult tocadas acústicas, com mais algumas músicas próprias, e o que mais me deixa abismado... O guitarrista do Megadeth é o cara que toca o violão magnífico da banda. Eles ficaram bem conhecidos entre o povo que realmente entendia de música, e acabaram gravando um álbum (1994), coisa que nunca planejaram p'ra aquela brincadeira. O álbum é maravilhoso, e todos deveriam ouvir...

Depois disso ele voltou pro TNT, mas já que a banda não tinha feito nada enquanto ele ficou fora, podemos dizer que ele nunca saiu. Gravou mais alguns álbuns com a banda, e posso ressaltar My Religion, que p'ra mim é o melhor que ela fez até hoje. Mas enquanto isso ele ainda participou de vários projectos e montou outra banda, chamada Westworld, junto do guitarrista do Riot, Mark Reale (que é muito engraçado, um Randy Rhoads hippie) conseguiram o baixista do Danger Danger e um dos bateristas que passou pelo Rainbow, ou seja: só monstros do Hard Rock. Em 1999 o primeiro álbum saiu com o nome da banda, e é maravilhoso, inacreditávelmente bom. Depois um álbum mais sombrio, Skin, e um ao vivo, que ficou muito bom. Mas não chegaram perto do primeiro... Embora o terceiro álbum de estúdio tenha se mostrado muito bom também (Cyberdreamer).

Ok, acabou o Westword, sem brigas nem nada de novo, e Tony ainda é amigo de todos os músicos com quem trabalhou durante a vida.

Saiu do TNT de novo, dessa vez com um último show onde ele apresentou o novo vocalista (Tony Mills)
, e o coitado foi humilhado tentando cantar junto do Tony Harnell, mas ele até que é bom se não compararmos.

Ok,
vida nova, certo? Tony montou o Starbreaker, com um amigo seu que também foi do TNT como
baterista, o produtor da banda como baixista e na guitarra Magnus Karlson, que é tido como um dos melhores guitarristas do mundo (embora eu não concorde)
. Starbreaker é uma banda boa, e o primeiro álbum foi muito bom também, mas muito pesado pro meu gosto.

Starbreaker indo bem, Tony lançou seu primeiro álbum solo: Cinematic. Que é muito bom como esperado. E esse ano tivemos o Tony Harnell and The Mercury Train, com seu álbum Round Trip... Meldelz, o que é aquilo? Ele juntou músicos de estilos diferentes p'ra regravar algumas das músicas dele, pelo TNT, Westworld... De uma forma diferente. E ficou muito bom, mas muito bom é pouco p'ra descrever aquilo. Meldelz. Ele ainda colocou a mulher dele p'ra fazer backing vocal na banda, e a desgraçada canta bem demais.

Ou seja, o cara teve a vida que eu queria ter vivido. Na verdade ele teve mais do que isso, teve a vida que eu queria ter tido plus bônus tracks e projectos paralelos.
Mas tudo bem, a mulher dele parece um esquilo mesmo. :P

P.S.: Duvido que alguém tenha lido tudo.