sábado, 13 de julho de 2013
Rise like a drunken fenix! RAISE!
Olá people! Eu sei que esse blog está morto e enterrado, mas como zumbis estão na moda, foda-se.
Eu não tenho mais paciência p'ra escrever coisas p'ra colocar aqui e ninguém ver, mas uma coisa que eu posso fazer é reunir besteiras que eu postei em outros lugares como Facebook e colocar aqui, o que espero que dê uma movimentada boa.
Eu não vou postar tudo de uma vez porque não teria graça, mas já aviso que nada disso é novo, à menos que eu diga que é!
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Eu queria sair, não, eu precisava sair.
Minha irmã me ligou falando sobre uma balada gótica no centro da cidade que ela queria ir. Não era muito bem a minha praia, mas eu não podia deixar minha irmãzinha alone entre um bando de satanistas sacrificando frangos virgens ou seja lá mais o que eles fazem.
Nos encontramos no metrô, minha irmã um amigo dela e eu, e então fomos até a estação mais próxima. Perguntei onde ficava o lugar mas ela não sabia. Droga, por que elas fazem isso? Vi um grupo de adolescentes vestidos com os mais diversos tons de preto que existem. Perguntei se estavam indo pro tal bar e disseram que sim. Fomos juntos e depois de uma curta caminhada chegamos no tal lugar.
Logo de cara não gostei muito de lá, mas quem sou eu p'ra reclamar, e eu já estava lá mesmo, paguei a taxa de malditos vinte reais e entrei. Não era um bar, parecia um salão de festas infantis sem os brinquedos, me deram uma pulseira que brilhava no escuro e um Vale Absinto. Uma dose.
Isso não vai me abastecer, pensei, talvez uns dez metros. Olhei em volta, haviam adolescentes de vários tipos. Bom, talvez 'vários' seja uma palavra muito forte, haviam 'dois' tipos: um tinha cabelo longo e preto, com roupas pretas e correntes, aparentemente sem utilidade práctica. O outro tinha cabelo colorido e roupas rasgadas, máscara de gás no rosto, talvez com alguma utilidade.
Não havia banda, o que me deixou decepcionado. Eu paguei vinte reais p'ra ver um bando de adolescentes? Posso fazer isso de graça na saída de uma escola, embora eu talvez fosse preso... isso soou melhor na minha cabeça. Aproveitei que apenas eu queria o Absinto e peguei os vales deles. Comprei uma dose de Whiskey p'ra suportar aquilo, toda aquela juventude, aquilo me enojava. Dentre todos aqueles animais soturnos estava eu, camisa vinho de mangas longas e jeans, além do meu cabelo com uma mecha amarela malfeita do lado. Virei a dose.
Observei mais um pouco aquilo tudo, como um antropólogo que chega em uma ilha perdida. Peguei mais uma dose de Whiskey. Eles vinham no mesmo lugar, pagavam o mesmo tanto p'ra ficarem confinados em um quarto escuro ouvindo as mesmas músicas em uma caixa de som barata. Mesmo assim, eles não se misturavam, os dois grupos, eram como pingüins e ursos polares, embora bem mais próximos. Virei a dose.
Precisava maneirar, peguei uma cerveja. A música não me agradava, ela me deixava depressivo. Não, ver ela deprimindo aqueles adolescentes me deprimia. Isso. Agora, que eu já estava começando à me sentir intoxicado, eu podia ignorar a homogeneidade daquelas pessoas e procurar um alvo, mas acabei desistindo disso também, as máscaras de gás não me permitiam saber direito com o que eu estava me metendo, e normalmente já era difícil distinguir os cromossomos de lá, todos tinham aquele cabelo comprido e preto, liso, ou aqueles cabelos coloridos como um arco-íris bêbado. E os homens não tinham barba, e tinham uma voz muito fina. Eram todos ou muito magros ou muito gordos. Terminei duas cervejas enquanto pensava nisso.
Eu já estava lá há algum tempo, e mesmo sabendo que eu precisava ficar lá até de manhã p'ra poder pegar o metrô e levar minha irmã embora em segurança, eu também estava cansado de ir até o "bar", então pedi as três doses de Absinto de uma vez, usei minhas incríveis habilidades de segurar copículos entre os dedos e voltei p'ra algum canto levemente isolado.
Alguns deles dançavam, era triste. Eles ficavam de pé no meio do caminho com os olhos fechados e as cabeças caídas, os ombros caídos, as morais caídas... e eles trocavam o peso do corpo de um pé pro outro, às vezes giravam um pouco com os braços, caídos.
Virei a primeira dose.
Então eu estava em uma rede, ou algo que parecia uma. Eu me sentia afundado, como se estivesse em uma rede mesmo, e ela me abraçava. Tentei abrir os olhos, uma luz muito forte me cegou e mesmo fechar os olhos não fez ela passar, mas depois de alguns instantes ela passou e eu tentei abrir os olhos de novo, estava um pouco melhor, a luz vinha da janela por dentre a persiana, algo me dizia que era o sol. Eu não tinha uma janela, muito menos uma persiana, aquilo não era um bom sinal. Olhei pro teto. Um ventilador. Eu também não tinha um, mas à essa altura eu já esperava algo assim.
"Você devia olhar pro lado", pensei.
Respirei fundo, minha cabeça doía. Olhei pro lado e vi um amontoado de cabelos castanho escuros, ondulados. "Espero que não tenha mais cabelo em lugar nenhum". Olhei um pouco mais p'ra baixo. Costas, ou melhor, costas sem pelos. Ok. Mais p'ra baixo. Enfim, os únicos outros pelos que eu encontrei foram nas sobrancelhas e cílios. O que diabos? O pior já passou, então à menos que tenha um anão bem dotado desmaiado no banheiro está tudo bem. Tentei me lembrar de algo. Onde eu estava? Não lembrei. Quem era ela? Não lembrei. Quem era eu? Isso eu lembrava. Menos mal.
Location, location, location.
Delicadamente tentei me levantar da cama, mas ela estava quebrada então ficava me jogando p'ra dentro o tempo todo, p'ra cima da garota. Ela não acordou, coloquei minha mão em seu pescoço p'ra sentir sua pressão, não senti nada, mas estava quente. Na pior das hipóteses era um coma, coisa que me livraria de uma situação embaraçosa, ou me colocaria em outra, caso alguém me visse saindo do quarto.
"É tudo circunstancial", "ninguém pode me acusar de nada". "Ou pode, não me lembro direito se crimes circunstanciais são bons ou ruins agora".
Minha cabeça doía.
Consegui sair da cama, a garota respirou fundo e virou pro outro lado, se embrulhando no cobertor.
Ok, se isso for coma deve ser o mais activo da história.
Procurei minhas roupas, vesti de qualquer jeito e fui pro banheiro, me olhei no espelho. "Parece que você apanhou essa noite, nunca vi um rosto tão vermelho, olhos tão vermelhos". Na minha camisa havia marca de algum fluido estranho, como se eu tivesse babado ele. Eu precisava saber onde eu estava, fui até a janela do quarto, antes de puxar um pouco a persiana respirei por um segundo de olhos fechados. Puxei, nunca fiquei tão feliz de não ver o Coliseu, a Torre Eiffel ou a Estátua da liberdade, mas ainda não sabia onde eu estava. O céu e as nuvens eram familiares, mas eles são assim em todo canto. Então eu lembrei da minha irmã, droga.
Procurei meu celular no bolso, havia um SMS não lido. Abri e dizia "Cheguei bem :)", remetente Sis. Ok, ok...
Eu ainda tinha um corpo nu em uma cama quebrada, minha perna estava doendo bastante e eu não entendia muita coisa, Me senti lendo um livro em russo ou algo do tipo, talvez alemão.
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Seu cara de pau.
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