Andando na rua senti uma vontade forte de explodir, como se eu fosse uma bexiga cheia com seis lítros de sangue quente, que pintaria as ruas, paredes, carros...
Talvez isso represente a vontade de me notarem, ou apenas a vontade daquela dor que nunca passa ser dividida em milhões de gotas.
Talvez eu escrevesse um testamento antes, dizendo coisas como "deixo a Dalilla pro Tiago, e a Sarah p'ra Lari"...
É, eu poderia fazer isso agora, vejamos como seria:
Deixo a Dalilla, minha guitarra, pro Tiago, que é um grande amigo que sempre me trouxe bons momentos, se não for o melhor. A Sarah, minha câmera, gostaria que ficasse com a Lari, que é uma pessoa tão especial, mas não tem plêna noção disso. Meus livros eu gostaria que ficassem com a Cris, grande filósofa que me ajudou muito já, com abraços e berros. A Nanda fica com minhas roupas, hahaha, acho que ela ia gostar de uma coisa ou outra.
Na verdade, agora que parei p'ra fazer isso, vejo que não tenho mesmo muita coisa, acabei tendo mais amigos do que heranças. Queria deixar algo pro Bruno e pro Carioca, pro André e p'ra Bruna, p'ra Stephanie, por que não? Queria dar um mundo p'ra cada uma dessas pessoas que eu gosto tanto, mas não tenho nada.
Nunca quis ter nada, é verdade. P'ra mim a vida nunca teve sentido, então viver como um Rei ou um Hippie não tinha muita diferença, não queria construir nada.
Se quiserem mesmo saber, eu não quero trabalhar sem ser útil p'ra nada, não quero salvar o mundo nem destruir ele, e diferente de Knulp, eu não quero nem observar. Queria me congelar e acordar em dez mil anos, mesmo que fosse um apocalipse de vulcões e animais gigantes cospindo veneno, seria melhor do que esse dia infernal de hoje.
Um dia eu sumo de verdade, vocês vão ver.
Vou me cremar e vão passar anos me procurando, enquanto minhas cinzas voam sem estórias p'ra contar.
Nada do que eu tentei fazer na vida deu certo, e olha que eu nunca tive nenhuma grande ambição. Nunca quis ser um Rock Star nem nada, se eu conseguisse compor uma música, que fizesse alguém, mesmo que uma criancinha desconhecida, sentir o que eu sinto quando escuto What The Worst That Could Happen por exemplo, eu já seria a pessoa mais feliz do mundo.
É tão fácil me fazer feliz, as pessoas não percebem isso. Eu tenho a minha timidez extrema que disfarço com minhas palhaçadas, mas cada abraço é uma explosão de felicidade.
Não consigo fazer tanta coisa que quero, mesmo sabendo que é fácil demais. Não consigo dizer pro meu Pai que amo ele, e ele está morrendo. Não consigo pegar um maldito ônibus p'ra Elói Mendes nem dar um soco na cara daquela pessoa que eu odeio. Nunca consigo fazer nada, que inferno.
Queria que uma vez na vida, só uma, eu saisse do papél e fizesse alguma coisa.
P.S.: AAAAAAAAAAAAAAAAAAAHHHHHHHHHHHHHHHHHHH!
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Caraca...
ResponderExcluirBerros? XD
Porque essa transparência por meio das palavras? Que inusitado isso, será que é mais um papel? Espero que não. Que droga! Ops, na linha do post...três palavras (é palavrão).
Senhor tímido extremado, envio-lhe abraços, se bem que abraço não se envia, aff...como sou limitada!
Chryskun, gostei do texto, ele quase grita, sabia disso?!
Te vejo por aí, caminhando nas ruas.
Cris
Gritos de desespero que ecoam pelos abismos da vida, heim?
ResponderExcluirO importante é procurar. Encontrar é apenas uma conseqüência.
:)
Nossa! Você se superou, heim?!
ResponderExcluirVou complementá-la, "gritos de desespero que ecoam através de uma série infinita de possibilidades mergulhadas num oceano profundo de incertezas pelos abismos da vida." Cruzes! Eka!
Chris Kun, O procurador!
XD
Hahaha, quanta depressão p'ra uma frase só, e eu aqui morrendo de dor de cabeça...
ResponderExcluirQuando vou poder te pagar uma visita? :D