quinta-feira, 28 de julho de 2011

La la la la...


Algum de vocês já conheceu uma Laila na vida? Às vezes parece um nome até comum, mas eu nunca tinha conhecido nenhuma, já vi umas Leilas, ouvi falar, mas é até difícil associar... Laila, Laaaaaaila, é diferente, muito mais elegante, bonito. Laila me lembra vermelho, lembra desde que eu conheci ela, quando ainda era “La”, ou “lailie.b”. Foi tão sem querer, tão “do nada” que é até difícil lembrar exatamente como foi, mas também já faz tanto tempo... Laila era uma garota, como deveria ser. Misteriosa, engraçada, perfeita e complicada. “Just a small town girl, livin’ in a lonely world”.

Laila vem de “Layl”, que por vez vem do celta, ou persa, algum desses povos que sabiam fazer tapetes caros. Layl significa “noite”, irônico não? Søren significa "Sol". O Sol pode encontrar a noite, em um eclipse solar, tão raro e enigmáctico, ajudou Einstein à provar que a luz tem pêso. Ou a noite pode encontrar o Sol também, em um eclipse normal, daqueles que a TV sempre diz que foi o ultimo dos próximos cinqüenta anos, mas acaba acontecendo de novo em uns dois.

Duas pessoas se conhecendo, tão banal assim como um pardal, mas o mundo é feito disso, encontros e desencontros. Nada de poder e dinheiro, guerras ou água... O mundo é feito de relacionamentos, se as pessoas não se relacionassem não existiria nada p'ra ser feito, e tudo acabaria em silêncio, uma folha ao vento, sem ninguém p'ra ver, ouvir, atrapalhar...

Palavras, palavras... As pessoas precisam de palavras. Acho que o mundo antes das palavras devia ser interessante, honesto. comunicação sim, mas em mensagens mais claras: um sorriso, um rosnar. Talvez antes da escrita, as pessoas dessem mais valor p'ra voz, um tom ao dizer uma palavra, um gagueijar de mêdo. Palavras escritas não dizem muito, só podem ter um significado, não trazem amor, ódio ou nada mais. Um azum é só um azul, sem tom, sem tristeza.

O mundo pós-Laila sempre foi um mundo novo, agitado, colorido. Fragmentado em pequenas coisas, que eram tão grandes juntas, que formavam um amontoado de bobágens inestimáveis. Em um canto uma mecha de cabelo loiro ao vento, no outro uma blusa vermelha amarrada na cintura, um cachecol recortado e um calendário riscado, dias que passam voando, noites que duram anos, a gente acaba se sentindo um só, tentando encontrar uma posição boa p'ra dormir no frio, como alguém que tenta usar seu braço no lugar do travesseiro que não tem, por qualquer razão.

A felicidade é engraçada, é fácil às vezes. Pode estar em um chocolate branco com recheio de cereais & passas, em um seriado ou uma meia de dinossauro. A felicidade vem fácil, mas é muito difícil quando ela vai embora, a gente quer sempre mais, fica sentindo que a vida deve ser assim: 110% felicidade.

Sonhos grandes, sonhos pequenos, sonambulando dentro de nós. Uma casa vermelha em uma floresta de abelhas, "her and me and her dog, in a little red house", duas andorinhas nas costas, tudo têm espaço atrás dos nossos olhos.

"A vida é feita de sorrisos e bolhas"... Ou de sardinhas-macacas, dinossauros azuis, barulhinhos caninos...

sábado, 23 de julho de 2011

Desenhos Perfeitos.


Oi oi.

As pessoas têm uma obcessão pela perfeição, ou não?

Eu acho estúpido isso, não existe beleza na perfeição... Coisas perfeitas não contam estórias, não podem ser melhoradas nem nada... Eu acho que as cicatrizes são o que torna uma coisa o que ela é, são seu passado e suas conquistas. Aquele joelho ralado e o cabelo cinza, hahaha.

Não gosto de telhas novas, prefiro as cheias de musgo, ou paredes limpinhas... Qual a graça? Roupas novas são gostosas, mas aquela sua calça que você não abandona há dez anos vale muito mais.

As pessoas são sem graça... Elas não entendem...

Se não doer como você vai saber se funciona?

Se você se sentir muito bem e confortável, é melhor começar à repensar se não tem algo de muito errado com você.

As pessoas me dizem que eu tenho que parar de beber, de fumar, que tenho que ageitar minha vida e trabalhar com algo seguro, que me garanta um teto e comida, mas qual seria a graça de tudo isso? Se for p'ra viver duzentos anos em uma bolha eu prefiro nem viver... E não estou dizendo isso porque eu sou viciado nos meus vícios, ou por ser apaixonado pelas minhas paixões. Eu digo isso por ser viciado nas minhas paixões e apaixonado pelos meus vícios.

Eu não acho triste o caminho que a humanidade tomou, só acho triste que os da minha espécie vivam se escondendo de mim... Quem sabe mais um demônio esteja escrevendo algo semelhante neste momento? Eu me desenhei muito, vai ser complicado achar alguém parecido à essa altura do campeonato.

Só tenho medo de me colorir, vocês conhecem a Síndrome do Desenho Colorido, né?

Como assim qual? Deixa eu contar...

Sabe quando você pega o seu lápis e faz aquele desenho maravilhoso? Mel delz, é tão lindo que merece ter cores! Mas quando você tenta pintar o dito cujo, acaba estragando tudo, irreversivelmente... O arrependimento de ter tentado torná-lo perfeito é tão grande, que nem dez mil desenhos limpariam a tristeza dos seus olhos...

Ou não.

Vai saber, né?

Sem mais, Nik.

quinta-feira, 21 de julho de 2011

Serotoniless.


Muitas pessoas que eu conheço fazem uso de anti-depressivos (anti-psicóticos, psicotrópicos em geral), o que é muito comum hoje em dia, mas acredito que nem sequer uma ínfima parcela destes conheça realmente seus efeitos e história. Logo, como bom samaritano que sou, vou falar um pouco sobre eles aqui.

Vamos partir do princípio, anti-depressivos não curam ninguém de nada, muito menos de depressão, que é uma insuficiência neurológica de serotonina, hormônio responsável por aliviar as dores emocionais, afetando os neurônios do indivíduo e provocando uma sensação de bem-estar. A depressão pode ser causada por factores biológicos (como uma incapacidade física de produzir o hormônio em sua quantidade certa, ou regular o mesmo), ou um factor externo, o que nós chamamos de "perda". Esta perda é emocional, pode ser desde um ente querido à um amor, emprego, objecto, membro... O anti-depressivo tem como função aumentar a produção da serotonina, mas não aliviar esta perda ou incapacidade biológica.

Para tornar as coisas mais fáceis, vamos fazer uma comparação simples e idiota: Troque "depressão" por "fome" e "anti-depressivo" por "Coca-Cola". Você pode beber grandes quantidades de refrigerante quando estiver com fome, assim seu organismo sentirá que o estômago está cheio, e a fome pode passar temporariamente. O problema é que isso não está matando a fome nem dando ao seu corpo o que ele precisa, apenas enganando seu inconciênte de forma que ele pare de sofrer.

Tratar da depressão biológica é algo muito complicado, mas também é muito raro, podemos nos focar na depressão mais comum, que nós vemos aqui e acolá? Para curar alguém dessa depressão, é preciso atacar a raiz dela, que é o sentimento de perda, o que pode ser feito de muitas formas, mas os psicoterapeutas estudam para isso, então o mais aconselhável é permitir que um faça esse trabalho.

Hoje a depressão está na moda, todos querem ter depressão, pois assim encontram desculpas para sua inércia, razões para se sentirem fracassados, mas não culpados. Diferente do que se imagina e se divulga hoje em dia, o número de pessoas com depressão não aumentou, apenas a capacidade se ser identificada, e as pessoas que erroniamente são rotuladas como depressivas, geralmente por sí mesmas ou pessoas próximas.

O uso de anti-depressivos faz com que a pessoa não se sinta triste, mas nunca pode tornar a vida de alguém melhor. É uma droga, e faz o mesmo que as outras: ilude o cérebro com hormônios. Os usuários de psicotrópicos se sentem bem, independente de como estão suas vidas, e raramente tomam alguma actitude para que ela melhore, pois se sentem confortáveis da forma que estão, e a dor é o que impulsiona mudanças, o que quebra a inércia. Estamos entrando na geração da Felicidade Artificial, uma geração marcada por hormônios de laboratório, comprimidos mágicos e pessoas dopadas, que andam pelas ruas como gazelas em uma planície rosa-bebê.

A terapia pode aliviar ou até mesmo acabar com o sentimento de perda, e pode usar de anti-depressivos no começo do tratamento para tornar o paciente mais calmo, mas o seu objectivo é cortar o uso das drogas desnecessárias, razão pela qual deve-se evitar psiquiatras, que não tem formação ou competência para tratar de maneira eficaz a depressão.

A história dos anti-depressivos é marcada por muitas confusões, sangue e uma das maiores vergonhas que a medicina já passou. Nos anos '30 um neurologista português, Egas Moniz, criou uma operação que chamou de "leucotomia pré-frontal", alegando que com ela podia aliviar males emocionais, e submeteu imediatamente vinte pacientes ao procedimento, de depressivos à esquizofrênicos. Sua falta de rigor, imprudência e, se me permitem a palavra, noção, foram ignorados pelo êxtase na comunidade terapêutica, e mais de dez mil operações foram feitas nos USA até 1949, além de mais dez mil nos dois anos posteriores, até que Egas Moniz recebesse o Prêmio Nobel. A operação era feita da forma mais primitiva e absurda que o imaginário podia alcansar, com a incisão de um picão de quebrar gêlo entre o globo ocular e a pálpebra, mechendo o lobo frontal de um lado para o outro. Os paciêntes (surpreendentemente) não morriam com o dano, mas ficavam debilitados psicologicamente, e "bobos" pelo resto de suas vidas. Chapados, dopados, eternamente. Ao contrário do que se imagina, o procedimento foi tido como um milagre e nunca foi censurado, até que os psicotrópicos vieram para substituí-lo, gerando um efeito semelhante, porém menos violento e reversível.

Sabe-se que o lobo frontal é responsável principalmente pela personalidade da pessoa, e mesmo tendo algumas outras funções, elas podem ser executadas por outras áreas do cérebro sem problemas. Danificando o mesmo, a pessoa perde sua habilidade de se destacar como alguém inteiro, e passa a ser pouco mais de um animal sem reflexão, vagando pela Terra com um corpo humano.

Bom, depois eu falo mais sobre esse assunto tão interessante, ao menos p'ra mim. :)
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P'ra quem não sabe, estou vivo, e bem, na base do possível p'ra um humano não-practicante vivendo no Brazil. :)