sábado, 15 de janeiro de 2011

E.T.I.


Tenho visto muito The X Files ultimamente... Eu não sei se já comentei aqui no blog, mas eu gosto de estudar ufologia, faz mais de oito anos que leio artigos, revistas, livros... Antes que pensem que sou um Fox Mulder da vida, eu não acredito cegamente na existência de vida inteligente fora do planeta (não sei nem se acredito que haja dentro do planeta). Eu acredito em possibilidades, e admito que é possível que exista.

Gostaria de começar dizendo que a grande, imensa, maior parte dos ufólogos, são idiotas paranóicos, e isso inclui muitos famosos e respeitados. A imaginação é uma coisa muito poderosa, ela nos fez voar, ir ao fundo do mar, transformar metais e plástico em máquinas, e água corrente em eletricidade. A imaginação é tão poderosa, que transforma a mentira em certeza.

"A verdade está la fora. Assim como as mentiras".

Existe um consenso geral, de que muita coisa poderia ser explicada com visitas extraterrenas: religião, tecnologia, ciência, evolução...

Imagine que há alguns milhões de anos, um cara meio distraído estava voando tranqüilo p'ra constelação de Pégasus, onde pretendia tiras umas férias, nadar nas piscinas de plasma de um hotel barato, esfriar a cabeça daquela vida de escritório burocrática, que ele levava no seu planeta, o KY 2-maçã...

Este cara acaba sem gasolina, e tem que parar em algum lugar p'ra esperar o reboque... Ele pousa na Terra e sai p'ra dar uma volta, afinal todos sabem que reboques demoram p'ra cacete, oh caras vagabundos... Andando pelo planeta, ele vê milhares de animais e plantas estranhos, mas não consegue parar de pensar que está pagando reserva no hotel e vai perder um dia inteiro nesse lugar chato. Esperando e esperando, ele percebe que uma das espécies dos animais que aqui residiam, não tinha medo dele, e na verdade eram muito doidos esses bixos, uns animais peludos, com rabo longo que usavam como se fosse um membro, se balançando de um galho pro outro, jogando coisas no coitado. Ele achou aquilo tão engraçado, que resolveu dar um presente p'ra eles, deu um leve choque de genes novos no bichinho, assim ele poderia ficar mais inteligente e aprender à correr depois de jogar as coisas, p'ra viver um pouco mais tempo.

O reboque chegou e ele pôde ir embora, p'ras suas merecidas férias.

Milhares de anos depois, estamos aqui, jogando coisas uns nos outros, e correndo depois.

Genes de palhaço que nos foram dados, genes que nos levaram à criar todo o tipo de coisas inúteis, dentre elas o... Rádio!

Hahaha, rádio, quem diria... Nós sem querer querendo começamos à mandar mensagens, músicas, pornografia barata, tudo sendo jogado p'ra todas as direcções possíveis no espaço... Mas esquecemos que não podemos correr daqui.

Logo após a criação do rádio, começaram os avistamentos de OVNIs, o que cai como uma luva na estória, não acham?

O nosso velho amigo de milhões de anos atrás não existe mais, ele se matou faz muito tempo, não suportou a pressão do trabalho. Mas alguns amigos dele, alguns inimigos e desconhecidos, receberam as mensagens e pensaram "WTF?"... Vieram ver o que estava acontecendo e encontraram isso: macacos sem pêlo andando por aí, jogando coisas uns nos outros e correndo depois, olhando p'ra cima e p'ra baixo, procurando desesperadamente alguma coisa que não sabem o que é... Chamando de Deus, Chuck Norris, Lucifer...

Ficaram vendo, dando uma cutucada às vezes, p'ra ver no que dava. Normal ué.

Muita gente pensa "eles vieram p'ra nos destruir, querem ficar com nosso planeta"... Pois eu digo: se quisessem, já o teriam feito faz tempo, e tenho certeza de que eles têm quanta água e O² quiserem, não são retardados.

Outros vem com a estorinha de que "eles vêm p'ra nos ensinar coisas novas, nos adoptar...". Aham Claudia, senta lá.

Quando você vê um formigueiro, você oferece açúcar, cobertores e se oferece p'ra aumentar a colônia? Cala a boca, você vai olhar um pouco, pisar em uma ou outra e depois vai embora.

Eu não estou assumindo existência de nada, quero deixar claro. Só estou assumindo a possibilidade de que existam essas coisas, assim como a possibilidade de todo OVNI avistado fazer parte do exército Americano, criado na Segunda Guerra... As teorias são muitas, algumas muito boas.

A minha teoria é o seguinte: os humanos são muito vagabundos, e gostam de ter algo em que acreditar, p'ra se agarrarem e sentirem seguros.

Só isso.

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

One Way Ticket


"Missão espacial suicida procura voluntários habilidosos para árduo treinamento".

Não saiu no jornal, mas é uma possibilidade que surgiu no final de 2010. Sei que eu nunca trouxe notícias p'ra vocês, mesmo porque o objectivo do blog não é este, mas achei deveras interessante quando ouvi essa estória, e hoje estava lembrando disso.

A Nasa estava cogitando a hipótese de enviar astronautas à Marte, one way ticket. Uma viajem apenas de ida, seria muito mais fácil de ser organizada, e mais barata.

Astronautas treinados durante anos, seriam mandados para examinar o planeta vermelho, e viver nele até que uma outra missão os resgatasse, ou até que eles morressem mesmo, tanto faz.

Obviamente, a ética não permite que a Nasa ou qualquer outra entidade escolha os "coitados", mas eles poderiam ser voluntários, assumindo o possível risco de nunca mais voltarem.

E aê, quer dar um passeio em Marte p'ra sempre?

Não seria nem um pouco estranho, caso o governo bancasse a família dos astronautas pelo resto da vida, com uma pensão de encher a pança... Não que eles realmente fossem precisar, porque nunca vi astronauta de família pobre, mas este não é o caso...

Acredito que muitos de vocês devem estar pensando "poha, além de ajudar a ciência e fazer algo muito louco pelo que eu sempre acredito... Vou ficar famoso e garantir uma vida boa p'ra minha família!".

Agora pensem em apenas uma coisa... Qual a diferença entre isso e um homem-bomba muçulmano? Quer dizer... Ambos vão se matar pelo que acreditam e garantir um futuro bancado p'ras suas famílias.

Claro que não esperamos que os astronautas matem ninguém indo p'ra Marte, mas isso fica p'ra outra estória...

Eu estava pensando nisso hoje... Tenho que reflectir um pouco mais, é um assunto delicado.

Ou não.

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

I wanna know where people go, when they cross to the other side...

Oi oi...

Ontem um dos nossos filhos morreu atropelado... O Torpedo.

Engraçado, que eu sempre disse que não gostava dele, sempre de brincadeira. Dava bronca, às vezes até batia de leve na cabeça dele p'ra ele parar de fazer coisas erradas, mas eu sempre gostei dele, muito. Eu sempre disse que o Mafagafo era meu protegido, que ele era o mais lindo, o mais divertido... Mas quem sempre estava no meu colo, era o Torpedo.

Eu estava no computador, conversando, quando umas meninas começaram a gritar pela Nanda da rua, eu pensei "alguma amiga doida dela visitando de surpresa", e ela foi ver o que era. Quando ela gritou "Nik!", pensei "problema, deve ser uma ex doida dela com uma gangue"...

-Tudo bem?

-Vem aqui... O Mafa morreu...

Nisso eu gelei, vi um corpo estirado na rua, saí correndo p'ra ver se ele estava bem, enquanto a Nanda em choque entrava chorando em casa... Não precisava entender de biologia p'ra saber que ele estava morto, mas meu maior medo era exatamente que ele estivesse vivo, ou melhor, sobrevivo. Se ele estivesse, teria sido mil vezes pior, porque eu teria que matar aquele filho, aquele amigo, que eu dez minutos atrás estava coçando a barriga... Vocês podem achar que é exageiro, que eu sou sangue-frio e não sei mais o quê, mas a morte dele me fez muito mal, e eu gostava muito dele, mesmo dizendo o contrário, sei que ele sabia disso.

Se querem saber, eu vou sentir falta do Torpedo, muita falta, vou sentir falta de coçar a barriga e o queixo dele, falta de colocar ele no colo e desarrumar os seus pêlos, falta de brigar com ele quando me mordia ou arranhava minha calça... Não me importo com cicatrizes e calças, eu queria o Torpedo de volta...

Eu não gostava mais dele, ou mais de outro. P'ra mim cada um era um: o Mafagafo era o bonitinho, fresco, que eu paparicava, mas nunca deu bola p'ra mim. O Sem Nome era o bobão, brincalhão, que eu estava sempre irritando, mas sempre do lado. O Negão era o Negão, o boêmio sem cura, que não aparecia em casa quase nunca, mas quando aparecia sempre cuidava dos outros e dormia comigo... E o Torpedo era aquele que eu xingava, dava bronca, dizia que era feio e chato, mas ficava o dia inteiro no meu colo, enquanto eu revezava entre minhas atividades diárias e fazer carinho na barriga dele, vendo aquela carinha de sono dele...

Eu não espero que vocês entendam, mesmo porque nem os conheceram, e não pensem que eu nunca perdi um bichinho de estimação, já perdi muitos, e sempre foi doloroso, porque eles são amigos p'ra mim, literalmente...

Depois de vê-lo estirado no chão, não queria que a Nanda tivesse que ver também, então o tirei delicadamente da rua, enquanto uma matilha de manos retardados gritavam "opá! Vai ter churrasco hoje!". Eu pensei em bater neles. Todos eles. Eu cogitei muito essa opção, mas achei que o mais importante na hora era cuidar do Torpedo. Peguei uma caixa de sapato minha, novinha, e o coloquei lá dentro, direitinho. A Nanda me deixou usar uma escumadeira velha p'ra cavar, já que não temos pás em casa, eu o levei até um terreno que nós usamos periodicamente p'ra empinar pipas, e cavei, cavei... Eu não queria que ele fosse enterrado raso, porque algum animal podia o desenterrar, e aquela pá improvisada não ajudava muito... Cavei com as mãos, o mais fundo que eu pude, e não parei quando as mãos começaram a doer, só parei quando a cova chegou à profundidade do meu braço, pois não podia fazer mais nada. Parte da terra eu usei p'ra encher a própria caixa, assim não haveria muito ar que permitisse que o cheiro atraísse carniceiros. A coloquei devagar no seu lugar, e enterrei meu amigo...

Não sei exatamente por que estou escrevendo sobre isso, muito menos por que estou escrevendo de forma tão detalhada, mas acho que é p'ra eu poder parar de pensar nisso logo, deixar ele descansar em paz...

Torpedo, I miss you.