sábado, 15 de janeiro de 2011
E.T.I.
sexta-feira, 14 de janeiro de 2011
One Way Ticket
terça-feira, 11 de janeiro de 2011
I wanna know where people go, when they cross to the other side...
Oi oi...
Ontem um dos nossos filhos morreu atropelado... O Torpedo.
Engraçado, que eu sempre disse que não gostava dele, sempre de brincadeira. Dava bronca, às vezes até batia de leve na cabeça dele p'ra ele parar de fazer coisas erradas, mas eu sempre gostei dele, muito. Eu sempre disse que o Mafagafo era meu protegido, que ele era o mais lindo, o mais divertido... Mas quem sempre estava no meu colo, era o Torpedo.
Eu estava no computador, conversando, quando umas meninas começaram a gritar pela Nanda da rua, eu pensei "alguma amiga doida dela visitando de surpresa", e ela foi ver o que era. Quando ela gritou "Nik!", pensei "problema, deve ser uma ex doida dela com uma gangue"...
-Tudo bem?
-Vem aqui... O Mafa morreu...
Nisso eu gelei, vi um corpo estirado na rua, saí correndo p'ra ver se ele estava bem, enquanto a Nanda em choque entrava chorando em casa... Não precisava entender de biologia p'ra saber que ele estava morto, mas meu maior medo era exatamente que ele estivesse vivo, ou melhor, sobrevivo. Se ele estivesse, teria sido mil vezes pior, porque eu teria que matar aquele filho, aquele amigo, que eu dez minutos atrás estava coçando a barriga... Vocês podem achar que é exageiro, que eu sou sangue-frio e não sei mais o quê, mas a morte dele me fez muito mal, e eu gostava muito dele, mesmo dizendo o contrário, sei que ele sabia disso.
Se querem saber, eu vou sentir falta do Torpedo, muita falta, vou sentir falta de coçar a barriga e o queixo dele, falta de colocar ele no colo e desarrumar os seus pêlos, falta de brigar com ele quando me mordia ou arranhava minha calça... Não me importo com cicatrizes e calças, eu queria o Torpedo de volta...
Eu não gostava mais dele, ou mais de outro. P'ra mim cada um era um: o Mafagafo era o bonitinho, fresco, que eu paparicava, mas nunca deu bola p'ra mim. O Sem Nome era o bobão, brincalhão, que eu estava sempre irritando, mas sempre do lado. O Negão era o Negão, o boêmio sem cura, que não aparecia em casa quase nunca, mas quando aparecia sempre cuidava dos outros e dormia comigo... E o Torpedo era aquele que eu xingava, dava bronca, dizia que era feio e chato, mas ficava o dia inteiro no meu colo, enquanto eu revezava entre minhas atividades diárias e fazer carinho na barriga dele, vendo aquela carinha de sono dele...
Eu não espero que vocês entendam, mesmo porque nem os conheceram, e não pensem que eu nunca perdi um bichinho de estimação, já perdi muitos, e sempre foi doloroso, porque eles são amigos p'ra mim, literalmente...
Depois de vê-lo estirado no chão, não queria que a Nanda tivesse que ver também, então o tirei delicadamente da rua, enquanto uma matilha de manos retardados gritavam "opá! Vai ter churrasco hoje!". Eu pensei em bater neles. Todos eles. Eu cogitei muito essa opção, mas achei que o mais importante na hora era cuidar do Torpedo. Peguei uma caixa de sapato minha, novinha, e o coloquei lá dentro, direitinho. A Nanda me deixou usar uma escumadeira velha p'ra cavar, já que não temos pás em casa, eu o levei até um terreno que nós usamos periodicamente p'ra empinar pipas, e cavei, cavei... Eu não queria que ele fosse enterrado raso, porque algum animal podia o desenterrar, e aquela pá improvisada não ajudava muito... Cavei com as mãos, o mais fundo que eu pude, e não parei quando as mãos começaram a doer, só parei quando a cova chegou à profundidade do meu braço, pois não podia fazer mais nada. Parte da terra eu usei p'ra encher a própria caixa, assim não haveria muito ar que permitisse que o cheiro atraísse carniceiros. A coloquei devagar no seu lugar, e enterrei meu amigo...
Não sei exatamente por que estou escrevendo sobre isso, muito menos por que estou escrevendo de forma tão detalhada, mas acho que é p'ra eu poder parar de pensar nisso logo, deixar ele descansar em paz...
Torpedo, I miss you.
