sexta-feira, 8 de junho de 2012

Puzzles




Naquele momento ele entendeu que as pessoas eram reais, e por um instante ou dois, ele poderia roubá-las do tempo, com um disparo escreveria uma estória, com um pouco de luz e um pouco de sombras.


Então houve tudo o que era necessário: movimento e vida, e o tempo se congelara para sempre, em um capítulo de si mesmo, enquadrado como uma peça de um quebra cabeças grande demais para se entender o que era, até que fosse montado.


O sol nasceu e se pôs ao menos dez vezes antes que as peças começassem à encaixar, pouco à pouco, peça após peça. Os dias viravam noites, e as noites viravam dias mais claros ainda, mas o tempo nunca parava, ao menos não fora daquelas pequenas gravuras, tingidas à luz.


Mas o quadro nunca estaria complecto, porque cada peça que nascia afastava mais a moldura, sem que ele percebesse. E anos se passaram, como gotas d'água em uma tempestade. Ele viu seu relógio fazendo tic-tac, e ficou alguns segundos acompanhando aquele ponteiro vermelho e fino, girando devagar, mas ainda assim mais rápido do que ele gostaria, e cada segundo que passava, cada movimento do ponteiro, era um segundo que nunca mais voltaria, era uma peça perdida.


Então ele entendeu que não haveria fim, porque as estórias de verdade nunca acabam, nós é que paramos de acompanhá-las.